Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Internacional - Pirataria ameaça rotas marítimas no Golfo da Guiné

Um relatório da organização International Maritime Bureau descreve as águas ao longo da costa nigeriana como extramente perigosas. Reforço de segurança das embarcações implica custos extra para empresas de transporte



De acordo com o relatório do International Maritime Bureau (IMB), a Nigéria já registou 22 incidentes nos só nos primeiros três meses do ano. Dos 11 navios que foram atacados, oito estavam a cerca de 40 milhas náuticas da costa nigeriana, incluindo um petroleiro com a capacidade de 300 mil toneladas métricas. Em 2017, a organização já tinha registado cerca de 20 ataques a embarcações na mesma área.

Kabeer Adamu é um analista de segurança, presidente de uma firma de consultadoria na Nigéria. Concorda com o relatório que diz que a pirataria no Golfo da Guiné é um grande problema. O analista considera que a monitorização do International Maritime Bureau tem um papel importante, pois se não se conhecesse a realidade, seria um "problema ainda maior".

"Do ponto de vista da segurança, é um desafio. Tudo isto traduz-se em custos adicionais para o transporte, devido ao valor que se tem de pagar para ter mais segurança", explica Adamu.

De acordo com o IMB, os ataques no Golfo da Guiné têm como alvo vários tipos de navios. Já houve tripulações reféns tanto em navios de pesca, como petroleiros. A organização diz estar a trabalhar com as autoridades nacionais e regionais no Golfo da Guiné para dar apoio e coordenar ações anti-pirataria.

"Sei que a marinha nigeriana já fez umas quatro operações na região, algumas delas na Nigéria, outras por todo o Golfo da Guiné. Já adquiriram novos meios, incluindo barcos com armamento", explicou o analista à DW.

Adamu acrescentou que também foram criados postos de controlo. Qualquer embarcação que deixe a Nigéria tem de passar por lá para verificar se tudo está de acordo com os regulamentos em vigor.

Desemprego pode ser causa do aumento de ataques

Um dos principais objetivos da pirataria é obter dinheiro, como explicou um antigo pirata à DW. Um ataque pode ser bastante lucrativo para os criminosos.

"Participei nuns 15 ataques. Um resgate, dependendo do tipo de barco, pode variar entre 400 mil euros e 2 milhões de euros", contou o ex-pirata à DW.

Para Femi Adesin, conselheiro especial para os media e publicidade do Presidente nigeriano Muhammadu Buhari por trás deste aumento dos ataques está o desemprego que afeta aquela região. A pirataria é vista como um recurso para a população.

 "Quando as pessoas veem que não há nada de onde possam tirar benefício, sentem que têm de se desenrascar e acabam por causar problemas a atividades económicas que estão a trazer dinheiro para o país", afirma Adesin.

Com a ameaça, empresas de transporte que operem na região e queiram usar terão de investir significativamente mais em segurança.

Entre março e abril deste ano vários países participaram num exercício aeoronaval no Golfo da Guiné, no âmbito do combate à pirataria e narcotráfico. Entre os participantes estiveram também Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Portugal e São Tomé e Príncipe. In “DW” - Alemanha

Brasil – Estaleiro Atlântico Sul conclui primeiro navio Aframax construído no país



Pernambuco entra para a história da navegação marítima como o primeiro estado brasileiro a construir um navio petroleiro Aframax. Com investimento no valor de R$ 250 milhões, o petroleiro Castro Alves de 248 metros de extensão que carrega até 120 mil toneladas, foi construído no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), instalado no Complexo Industrial Portuário de Suape. A embarcação foi financiada pelo Fundo da Marinha Mercante do Brasil. Para conferir de perto a grandiosidade do investimento, o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Valter Casimiro, visitou o EAS na manhã desta segunda-feira (23/04), na companhia do governador Paulo Câmara, do presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Marcos Baptista, e, dos deputados federais Tadeu Alencar e Betinho Gomes. A visita também foi acompanhada pela imprensa pernambucana.

Harro Burmann, presidente do EAS, explicou durante a visita que o Castro Alves será entregue ainda este mês. “Hoje posso dizer que esse navio visitado tem uma margem bruta de R$ 120 milhões de reais. No passado, a cada navio que se entregava se perdia um navio. Temos um navio com qualidade indiscutível e dentro do custo e prazo planejado. Também não podemos esquecer o mais importante: feito por brasileiros”, comemorou Burmann, que, luta para atrair novas encomendas para o EAS.

Paulo Câmara garantiu o apoio a manutenção do empreendimento. “Estamos juntos do estaleiro desde o início. Sabemos da importância da indústria e temos aqui um estaleiro de nível mundial, fruto da aposta em Pernambuco e da mão de obra pernambucana. É uma luta que estamos juntos. O ministro conheceu o empreendimento e sai sensibilizado. Nosso estaleiro dá conta do recado e é importantíssimo para a geração de emprego no estado e renda no Brasil”, afirmou.

Para o ministro Casimiro, o setor merece toda atenção da pasta e esta ação é uma indicação de um começo de recuperação. “Temos a consciência de que o momento da indústria naval é bastante desafiador e exigirá ações estruturantes. Sendo assim, o Ministério dos Transportes está empenhado em resgatar o setor. Por isso, estamos mantendo um diálogo com o Governo Federal para formular políticas que dinamizem o segmento”, reforçou.



O Castro Alves é o 11º navio fabricado no empreendimento. Restam, portanto, apenas quatro embarcações da Transpetro para serem finalizadas no EAS. Burmann apresentou o Aframax como a prova de que o empreendimento tem capacidade para receber novas encomendas. Ele articula até uma visita da diretoria da Petrobras ao EAS e ao Castro Alves. “Só a estatal deve contratar 80 plataformas, 160 navios aliviadores e 50 navios de cabotagem nos próximos 25 anos para atender à demanda do pré-sal”, detalha.

Entre 2010 e 2017, o Fundo da Marinha Mercante (FMM) já financiou a construção de 510 embarcações em estaleiros brasileiros. Só em Pernambuco, foram 2 estaleiros e 23 embarcações. Entre os navios, os modelos Aframax e PLSV (Pipe Laying Support Vessel) tiveram 90% dos seus custos financiados pelo FMM, sendo o restante pela Transpetro e outro pela Dofcon, totalizando R$ 1,25 bilhão. Para o ministro, esses equipamentos mostram a importância do Fundo com a construção naval brasileira, que certamente será reaquecida com a estabilidade econômica do país.

60 ANOS FMM – O Fundo é gerenciado pelo Ministério dos Transportes e seus recursos são destinados ao financiamento para projetos de embarcações e estaleiros. Ele foi constituído em abril de 1958 e está completando 60 anos em 2018. Jéssica Lima – Brasil In “Suape”

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Angola – Terceiro grupo gerador da Hidroeléctrica de Laúca vai entrar em funcionamento

A Hidroeléctrica de Laúca, localizada no rio Kuanza e com uma potência total de 2.070 MW, está prestes a tornar-se na maior central hidroeléctrica de Angola.

O terceiro grupo gerador vai entrar em funcionamento no final de Abril, o que vai permitir ultrapassar a produção de 1.000 MW de potência instalada de energia. Com o pleno funcionamento destes três grupos geradores, de um total de seis, a Hidroeléctrica de Laúca consolida-se como a maior central hidroeléctrica de Angola, superando a potência instalada nas centrais de Capanda (520 MW) e de Cambambe (960 MW).

Após a entrada em funcionamento do sexto grupo gerador, o qual se encontra em montagem, Laúca atingirá uma potência instalada de 2.070 MW, tornando-se numa das maiores hidroeléctricas da África Austral a par da central de Cahora Bassa, em Moçambique.

Ao mesmo tempo que produz energia limpa e renovável e contribui para a estabilidade do sistema eléctrico nacional, a Hidroeléctrica de Laúca faz o processo de enchimento da maior albufeira do país.

A previsão é de que até o final do mês de Abril, o reservatório chegue à sua cota máxima, o que vai garantir, com boa margem de segurança, uma capacidade de fornecimento de energia para o próximo período seco previsto para o segundo semestre.

O Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca é uma obra da iniciativa do Governo de Angola, sob a responsabilidade do Ministério da Energia e Águas – MINEA e tutelado pelo Gabinete do Aproveitamento do Médio Kwanza – GAMEK. A construção do empreendimento está a cargo da Odebrecht, empresa responsável desde a elaboração do projecto executivo, até à construção das obras civis, fornecimento e montagem dos equipamentos electromecânicos.

Para transportar a energia aos principais centros consumidores, o escopo do projecto inclui a execução de 750 quilómetros de linhas de transporte de energia, além da construção e ampliação de nove subestações. Laúca conta com 95% da força de trabalho composta por quadros nacionais, e já gerou mais de 13 mil postos de trabalho directos.

Sob a coordenação da Odebrecht, o empreendimento tem estado a intensificar as actividades de preservação da biodiversidade e resgate da fauna e flora locais, iniciadas em Março de 2017, no início do enchimento da albufeira, além do programa de monitoramento da qualidade da água do Rio Kwanza.

Nesta fase, os programas sociais da Hidroeléctrica de Laúca com as comunidades circunvizinhas concentram-se na transmissão de conhecimento e metodologias aos líderes comunitários.

Para tal, foram criadas as micro-empresas comunitárias, organizadas em unidades de produção agrícola, de farinha, pão e sabão. Ao todo, mais de 300 famílias beneficiam-se dos programas de geração de renda. In “A Verdade” - Moçambique


Portugal - Sabugueiro. Vêm aí alimentos com este novo anti-diabetes


99% da produção nacional já é exportada e o país não tira partido do potencial que poderia ser acrescentado com a sua transformação



Apesar de ser ancestral o conhecimento dos benefícios do sabugueiro para a saúde, e de ter um lugar cativo na medicina tradicional, a Universidade de Aveiro (UA) concluiu uma investigação que comprova o seu efeito positivo no controlo dos diabetes. A investigação vai agora orientar-se para a produção de novos alimentos à base desta planta.

A conclusão alcançada serviu de ponto de partida para um projeto mais ambicioso dedicado ao sabugueiro, cujo arranque aconteceu este mês, envolvendo, além da UA, a InovTerra – Associação para Desenvolvimento Local, o INIAV-Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e a InovFood, entre outros.

Daqui para a frente, a ideia é desenvolver produtos, a partir das bagas e das flores, destinados à alimentação. “A prioridade é criar produtos alimentares onde o sabugueiro seja o protagonista, que possam ser usados não apenas no combate à diabetes, mas na promoção da saúde e na prevenção de doenças”, diz a investigadora Sílvia Rocha, do Departamento de Química da UA, que orientou a investigação conduzida por Ângelo Salvador.

Ainda se desconhecem os produtos que poderão chegar ao mercado ao longo dos próximos quatro anos – o tempo de duração do projeto. A UA está a desenvolver formulações e fazer as avaliações nutritivas, para que as empresas interessadas possam assumir a produção futura.

Estamos a falar, por exemplo, de possíveis compotas, concentrados, xaropes e fibras.

“Só assim será possível valorizar o sabugueiro nacional” – o foco do projeto designado por “SambucusValor”, acentua Bruno Cardoso, presidente da InovTerra, que apresentou a candidatura à obtenção de um financiamento de 260 mil euros.

A produção está confinada a cinco concelhos, sendo o mais forte o de Tarouca, seguido do de Tabuaço. Moimenta da Beira, Lamego e Armamar partilham o terceiro lugar em temos de quantidades produzidas. O problema é que os 600 produtores que asseguram as 1500 toneladas por ano de baga fresca exportam 99,9% da baga de sabugueiro, sobretudo para a Holanda e a Alemanha, apenas sujeita a um processo de prensagem antes da expedição, na Regiefrutas, uma cooperativa em Tarouca.

Ou seja, o país não tira partido de um valor que poderia ser acrescentado por cá, através da sua transformação, tal como fazem os países de destino, pelo uso desta matéria prima na indústria alimentar e farmacêutica, como assinala Bruno Cardoso.

A ideia inicial era conhecer as moléculas existentes nas flores e nas bagas do sabugueiro que pudessem ter interesse para a saúde. Criou-se, depois, uma metodologia que permitisse conservar esses produtos ao longo do tempo, sem se degradarem. O final da pesquisa, feito numa universidade polaca, envolveu o uso de animais nos quais foi controlada a dieta com extratos da baga, permitindo concluir que estes podiam ter um efeito importante contra os diabetes, explicou Sílvia Rocha.

Entre os vários efeitos que a planta possa ter na saúde, o impacto no metabolismo da glicose foi visto como relevante porque, como sublinhou a investigadora, “os diabetes representam uma preocupação devido ao número de pessoas afetadas em todo o mundo, e que tenderá a crescer nos próximos anos”.

A ideia é criar um centro piloto, que deverá representar um núcleo de inovação em toda a cadeia de valor do sabugueiro: da planta à criação de novos produtos alimentares de valor acrescentado, lê-se na folha de divulgação do projeto.

Daí que a diversidade da equipa constituída vise aliar “sinergismos e complementaridade, estimulando os canais adequados de comunicação e transferência de conhecimentos e tecnologias, aproximando as entidades de I&D com os produtores e empresas do setor agroalimentar”.

A planta que sobreviveu à ira do Marquês

Bruno Cardoso é, também ele, um produtor, fixado em Tarouca, por via da herança familiar, desde os tempos dos avós. Apesar do peso geracional, tem um gosto pessoal pela produção da planta por motivos que enumera com satisfação: “Primeiro, é uma cultura limpa, sem químicos; segundo, porque é rentável e importante para a região; terceiro, porque o seu teor de doçura é alto, por comparação com produções de outros países europeus; por último, não há problemas com a venda e é paga”.

Os seus terrenos ocupam uma parte dos 350 hectares dedicados ao sabugueiro na totalidade dos cinco concelhos acima mencionados. Mas não é um número rigoroso, devido à dificuldade em apurar a área. Estima-se que metade da produção exista em pomar, mas outra metade das árvores seja usada como bordadura de terrenos com outros cultivos, tirando partido de outras qualidades da planta, quer em termos de robustez contra o vento, quer como repelente de pragas. Eis a sua versatilidade.

Tais vantagens não demoveram Marquês do Pombal de quase o extinguir da flora portuguesa, ordenando o arranque dos sabugueiros, ainda por cima, autóctones do país, para que as suas bagas não fossem usadas indevidamente na adulteração do vinho. Mal sabia ele que a planta viria a ser revitalizada, na expectativa da sua valorização económica. Teresa Costa – Portugal in “Dinheiro Vivo”


terça-feira, 24 de abril de 2018

Macau - “Dar um passo mais longe” na língua portuguesa

Representantes de 31 instituições de ensino superior chinesas estiveram no Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM para debater práticas e preocupações sentidas no processo do ensino do Português como língua estrangeira. Carlos André sublinhou que com esta reunião é possível definir um campo de acção para o futuro que passará por uma comunicação mais estreita e uma colaboração académica e científica mais próxima



O Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau (IPM) recebeu responsáveis pelo ensino do Português de 31 instituições de ensino superior do interior da China, entre elas a Universidade de Comunicação de Pequim, a primeira a leccionar a Língua Portuguesa, desde 1960, representada por Diana Zhang.

“Conversámos sobre a actividade do Centro no que respeita ao ensino do Português no Interior da China, sobre as acções de formação, produção de materiais, visitas feitas às universidades chinesas, apresentámos a equipa e perspectivámos o futuro, ouvindo a opinião dos professores chineses”, explicou Carlos André acrescentando que foi a primeira vez que se reuniram tantos representantes de instituições de ensino superior chinesas que ensinam Português.

Os docentes do Continente “partilharam connosco as suas preocupações em relação ao futuro”. “Estamos claramente a mudar a matriz no sentido positivo, porque não se trata apenas de produzir materiais para o ensino do Português ou de dar formação a professores. Trata-se de dar um passo mais longe, que é apoiar estes professores nas suas carreiras académicas. Já estamos a lidar com professores universitários de carreira. Têm teses de mestrado e doutoramento para fazer, artigos para publicar e precisam de apoio”, sustenta o director do Centro Científico e Pedagógico da Língua Portuguesa.

Além disso, na reunião “ficou muito claro que face a um xadrez desta dimensão” é necessário “melhorar o sistema de comunicação e de compartilhar muito mais as actividades”, destacou Carlos André. “É um passo importante a dar em frente, perceber como melhorar o sistema de comunicação e criar um sistema de relação entre todos que seja francamente positivo e sobretudo eficiente, tendo em conta que estamos todos no mesmo país”. Perante a necessidade de fomentar a comunicação, Carlos André defende que reuniões deste género se realizem todos os anos.

O diálogo abordou ainda questões como a criação da revista científica “Orientes do Português”, cujo primeiro número será publicado no final deste ano, e um novo modelo de formação que resulta do protocolo assinado entre o Camões – Instituto para a Cooperação e a Língua e o IPM.

Além disso, foi anunciada a continuidade do modelo de publicações do IPM. “Como se sabe, publicámos 10 livros em 2017, temos oito programados para 2018 e, finalmente, anunciámos um passo fundamental que é a transformação total do nosso sistema de presença online por forma a que estes nossos livres sejam todos colocados ‘online’, como livros vivos, que vão recebendo permanentemente inputs, em que um livro não é um objectivo definitivo mas sempre em transformação e sempre susceptível de ser actualizado”, frisou Carlos André.

Na mesma linha de pensamento, os professores que leccionam nas universidades chinesas passaram a ser considerados membros da equipa do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa, na medida em que os materiais passam a ser produzidos em regime de “co-autoria”.

Um crescente interesse

A reunião foi também uma oportunidade para os docentes que exercem funções no Continente esclarecerem dúvidas e expor os problemas que enfrentam. Catarina Xu, responsável pelo departamento de português da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, explicou que na instituição de ensino onde lecciona as turmas têm mantido um número de alunos regular, cerca de 20 por ano, na Licenciatura, o que não significa que não haja mais jovens interessados.

“Queremos controlar o número de alunos admitidos para controlar a qualidade do ensino do Português. Estamos a ver uma tendência grande de procura da Língua Portuguesa. Há mais de 10 anos havia 10 ou 11 universidades com o curso de Português. Agora contamos quase 40 instituições. Há um crescimento da procura”, frisou a docente.

“Com a eleição do ex-primeiro ministro português, António Guterres, [para Secretário-geral da Organização das Nações Unidas], todos nós, mesmo chineses, queremos que a Língua Portuguesa seja uma das línguas de trabalho da ONU. Isso reforça o desejo de aprender Português na China”, destacou Catarina Xu.

Diana Zhang pinta um quadro semelhante. “A área do ensino do Português no Continente chinês enfrenta grandes desafios. Um deles, como já viram, é o facto de o corpo docente ser muito jovem. Nos últimos anos cresceu o número de universidades que ministram o curso de Português, mas faltam recursos humanos no sentido do corpo docente”, alerta a professora de Pequim.

Neste sentido, as acções promovidas pelo IPM são benéficas. “O IPM forneceu cursos de formação para professores o que nos deu uma oportunidade para aprofundar o conhecimento e nos ajudou muito nas práticas de ensino. Assim, os professores jovens conseguem enriquecer as suas competências de ensino”, destacou.

Em jeito de conclusão, Carlos André sublinhou que o aumento exponencial do número de universidades que ensinam Português “não aconteceu em mais lado nenhum”. “Vai-nos exigir cada vez maior empenho e diversificação de tarefas porque, ao mesmo tempo que já há um número considerável de docentes que vão fazendo doutoramentos e, portanto, que atingem um nível avançado no que diz respeito à competência científica e qualidade académica, surge uma quantidade grande de docentes muito jovens que precisam de outro tipo de apoio, ao nível da formação, preparação, porque sabem falar Português mas precisam de muito no que respeita ao ensino do Português como língua estrangeira”, salienta o director do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa.

Carlos André destacou ainda que o organismo que dirige já formou 290 docentes e forneceu mais de 500 horas em acções de formação contínua. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

Brasil - Porto de Santos: difícil acesso

SÃO PAULO – Embora seja responsável por 27% da movimentação do comércio exterior brasileiro, o porto de Santos não tem recebido por parte do governo federal, em termos de investimentos de infraestrutura, a retribuição que sempre mereceu, até porque investir no complexo portuário santista significa fortalecer a economia nacional. Basta ver que, depois de assinar em 2013 convênio com o município para fazer a remodelação da entrada da cidade e criar novos acessos ao cais, o governo federal só agora começa a se movimentar para cumpri-lo.

Já o governo do Estado acaba de liberar verbas para as intervenções que de sua parte são necessárias para remodelar a entrada da cidade. Como se viu recentemente por ocasião da temporada de chuvas de verão, a região fica completamente alagada, ocasionando congestionamentos quilométricos que vão até o alto da Serra.

A execução dos trabalhos estará a cargo da Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), que, em troca, terá ampliado o tempo do seu contrato para cuidar das rodovias. O investimento previsto é de R$ 250 milhões. Do projeto, constam a construção de um acesso entre as marginais da via Anchieta, no bairro Piratininga, com a implantação de uma saída no viaduto da Alemoa (no sentido Planalto), e a retificação da pista sul da Anchieta, com a interligação das  marginais, sob um novo viaduto no quilômetro 65.

Como se sabe, esse trabalho de modernização do acesso a partir da via Anchieta também se tornou necessário e inadiável, já que os caminhões e ônibus estão impedidos de trafegar a pista descendente da rodovia dos Imigrantes em direção ao porto. Isto porque, na década de 1970, à época do início da construção da Imigrantes, os engenheiros não foram capazes de imaginar que um declive tão acentuado acabaria por impossibilitar o acesso de veículos pesados, embora a obra, à época do regime militar (1964-1985), tenha sido anunciada exatamente como uma solução para os problemas viários no acesso ao porto. Obviamente, este erro de cálculo nada edifica a engenharia brasileira.

É de se lembrar ainda que a Rumo Logística, depois de sua fusão com a América Latina Logística (ALL), como concessionária ferroviária do porto, também vem investindo para equacionar os vários conflitos que existem na região do Valongo, responsáveis por provocar grandes congestionamentos também à entrada da cidade, como aqueles que se vê diariamente na área do antigo Armazém 1, hoje desativado. Com a MRS, que detém a concessão na área de Cubatão, a Rumo pretende construir um retropátio à entrada do porto, que permitirá operações mais disciplinadas na rede.

Bem encaminhada a solução para a questão ferroviária, o que se espera é que haja vontade política para se procurar sanar a questão do acesso rodoviário ao porto, hoje dependente de um viaduto de acesso, pois, na verdade, até agora, a obra de remodelação da entrada da cidade pela via Anchieta só não saiu do papel por culpa da União. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Angola - Paulo Flores com novo álbum, ″kandongueiro Voador″

Paulo Flores, a comemorar 30 anos de carreira, tem um novo álbum que vai apresentar em Portugal no fim deste mês



"Kandongueiro Voador" é o título do novo trabalho do músico angolano que sobe ao palco da Aula Magna da Universidade de Lisboa, no dia 28 de Abril.

Composto por 12 faixas, maioritariamente da autoria - letra e música - de Paulo Flores, um álbum que resultou de um "laboratório criativo", segundo as suas próprias palavras, gravado nos intervalos entre os vários concertos do músico em Luanda.

Um dos temas, "Cise nos Rainha", é uma homenagem a Cesária Évora. Foi composto por Paulo Flores em 2016, cinco anos após a morte da "diva dos pés descalços".

O tema conta com o cavaquinho e bandolim de Edu Miranda e o clarinete de Ricardo Toscano.

O álbum, uma edição de autor, conta ainda com a participação de Roberto Mendes, Capiman, Armando Gobliss, Sérgio Beleira e DJ Satelite.

A acompanhar Paulo Flores no concerto da Aula Magna estarão os músicos Armando Gobliss, nas teclas, Chico Santos e Joãozinho Morgado, na percussão, Edu Miranda, no violão, cavaquinho e bandolim, Hélio Cruz, na bateria, Manecas Costa, na guitarra, e Mayo, no baixo. In “Novo Jornal” - Angola