Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Um romance das profundezas da floresta

                                                           I
Terceiro romance de Nicodemos Sena (1958), A Mulher, o Homem e o Cão (Taubaté-SP, Editora LetraSelvagem, 2009) não só confirma o talento do seu autor como, ao lado de seus livros anteriores, é, desde a sua publicação, obra de referência para o estudo temático da vida das populações marginalizadas da Amazônia (indígenas e caboclos) na Literatura Brasileira. Por seu estilo ímpar, o autor já foi comparado a grandes ficcionistas brasileiros, como Graciliano Ramos (1892-1953), Mário de Andrade (1893-1945), Érico Veríssimo (1905-1975), Guimarães Rosa (1908-1967) e João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), e a importantes ficcionistas latino-americanos, como o paraguaio Augusto Roa Bastos (1917-2005) e o peruano José María Arguedas (1911-1969).

A exemplo do que fez Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas, com a figura de Riobaldo, o personagem-narrador de A Mulher, o Homem e o Cão fala diante de um suposto ouvinte sobre as suas vivências no meio da floresta amazônica, discorrendo histórias fantásticas, com ele ocorridas e com sua família, que estão perpassadas por mitos regionais e bíblicos.  Em outros momentos, o narrador-personagem, cujo nome não se conhece, reproduz para o seu suposto ouvinte o que a esposa lhe contara sobre um diálogo que tivera com um homem desconhecido, que seria o “coisa ruim”, uma criatura fantástica e camaleônica que acaba por gerar os conflitos quer perpassam o romance.

Na verdade, como diz o protagonista-narrador logo no início da narrativa, ele, a mulher e seu menino (que, como as crianças-personagens de Graciliano Ramos em Vidas Secas, não tem nome) –  e também o cão que apareceu depois – viveram uma vida feliz em meio aos mistérios da selva, até que algo de estranho aconteceu, ou seja, o aparecimento de uma criatura diabólica, de voz doce e melodiosa, que teria atraído para a água do rio a sua esposa com propostas soezes.

                                                           II
Para a professora Christina Ramalho, doutora em Semiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autora do prefácio, A Mulher, o Homem e o Cão constitui um caleidoscópio, “cujas imagens brotam da associação constante e mutável de pequenos triângulos simbólicos que encerram em si significados próprios logo transgredidos e transformados por outros, trazidos pelo movimento contínuo do brinquedo”.

Já a professora Dirce Lorimier Fernandes, doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), no posfácio que escreveu para este livro, observa que “o fantástico e o inverossímil circulam na obra toda, ora na produção de diálogos simples, ora em conjecturas profundas, ora em diálogos mais filosófico-religiosos”. E lembra que “a erudição da obra não tem fim”.

De fato, o romance está impregnado por textos sagrados. Por exemplo: a mulher, personagem que tem relações amorosas com o “coisa ruim”, sente-se como Eva expulsa do paraíso, nua, depois de ter sido enganada por Satanás disfarçado de serpente, tal como se lê no primeiro livro de Moisés chamado Gênesis da Bíblia Sagrada.

Já o homem, como observa o crítico Oscar D´Ambrosio, autor da apresentação que consta das “orelhas” do livro, é o elemento que interage com a mulher e com o mundo de maneira complementar. “Se há entre eles a paixão, também permeia essa relação uma certa rivalidade e competitividade”, diz, acrescentando que o cão evoca diversas ambiguidades, pois, muitas vezes, relacionado ao diabo, por outro lado, também é visto como o melhor amigo do homem.
           
Em nota aposta ao final do livro, o autor recorda que, para escrever este romance, conheceu as lições da alquimia, sondou livros de caça às bruxas e de bruxarias e perquiriu os símbolos da mitologia. “Nem por isso me atribuo a condição de guru – de embusteiros já anda cheio o mundo”, diz. E acrescenta: “Ao descrever a maneira soez com que o diabo tentou a mulher, não tive o propósito de agravar-lhe o estigma ou escandalizar o leitor cristão. Pretendi fazer uma obra de ficção que envolvesse a imaginação numa experiência de suspensão e descrença, pois me interessa tanto a onipotência de Deus quanto a fragilidade do humano”.

                                                           III
Nicodemos Sena, nascido em Santarém do Pará, viveu em seu Estado natal até 1977. Em 1978, passou a residir em São Paulo, onde bacharelou-se em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) e, mais tarde, em Direito pela Universidade de São Paulo (USP). No início de 2000, recebeu convite para dirigir a redação do jornal A Província do Pará e a principal editora de Belém, a Cejup, trabalhando na capital paraense até o fim do ano, quando retornou a São José dos Campos-SP.

Insatisfeito com os primeiros contos que escreveu, dedicou-se a um projeto mais amplo, um romance que resultou na magnífica saga amazônica A Espera do Nunca Mais, de 870 páginas, editado pela Cejup, em 1999, seu livro de estreia. O livro, com suas lendas e mitos, mistério e sortilégio, matas e rios, igarapés e igapós, rendeu ao seu autor em 2000 o Prêmio Lima Barreto/Brasil 500 anos, da União Brasileira de Escritores (UBE), seção do Rio de Janeiro.

Em 2003, saiu à luz o seu segundo romance, A Noite é dos Pássaros, igualmente recebido com entusiasmo pela crítica, publicado em forma de folhetim, em dezoito episódios semanais, de 3 de abril a 31 de julho, no jornal O Estado do Tapajós, de Santarém, e na revista eletrônica portuguesa TriploV. Ainda em 2003, A Noite é dos Pássaros foi publicado em formato livro (Editora Cejup, 136 pág.).

No mesmo ano, fragmentos de A Noite é dos Pássaros foram publicados na revista Palavra em Mutação (n º 2) e no site Storm Magazine,  ambos de Portugal. Ainda naquele ano, A noite é dos pássaros conquistou o prêmio Lúcio Cardoso, da Academia Mineira de Letra,s e, em 2004, recebeu menção honrosa no prêmio José Lins do Rego, da UBE, seção do Rio de Janeiro. Nicodemos Sena é nome reconhecido fora da Amazônia, tornando-se verbete na Enciclopédia de Literatura Brasileira, direção de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (edição conjunta da Global Editora, Fundação Biblioteca Nacional e Academia Brasileira de Letras, 2ª edição, 2001).

Em 2007, Sena criou a editora a LetraSelvagem, que tem como objetivo incentivar o gosto pela leitura e promover a linguagem literária, além de desenvolver atividades que estimulem a tomada de consciência pelas populações, povos e etnias submetidos a qualquer tipo de dominação. É ainda meta da editora defender a produção literária, especialmente a brasileira e latino-americana, em face dos problemas decorrentes da economia “globalizada” e dos interesses do capitalismo predatório, além de apoiar, produzir e incentivar gestões direcionadas ao resgate cultural das populações, povos e etnias marginalizados, visando à democratização do acesso aos bens culturais.

Em 2017, Sena publicou pela editora LetraSelvagem Choro por Ti, Belterra!,  obra escrita em prosa poética e formada por 19 episódios, em que reconstitui o dia em que fez viagem de retorno às origens, em companhia de seu pai, depois de um percurso de algumas horas pela rodovia Santarém-Cuiabá, até entrar numa estradinha de terra que leva à Estrada Um e, enfim, às ruínas da cidadezinha de Belterra.

Na década de 1940, a cidade fora dirigida pela Ford Motor Company, empresa do magnata norte-americano Henry Ford (1863-1947), que, em plena Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tentaria fazer da extração da borracha uma atividade lucrativa, fornecendo os pneumáticos necessários para movimentar os veículos militares. Adelto Gonçalves - Brasil

___________________________

A  Mulher, o Homem e o Cão, de Nicodemos Sena, romance, com apresentação de Oscar D´Ambrosio,  prefácio de Christina Ramalho e posfácio de Dirce Lorimier Fernandes. Taubaté-SP: Editora Letra Selvagem, 152 páginas, R$ 30,00, 2009. 
E-mail: letraselvagem@letraselvagem.com.br Site:www.letraselvagem.com.br


_____________________________________________

Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015) e Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

Brasil - Desindustrialização em marcha

SÃO PAULO – Quem acompanha as oscilações da pauta mundial das exportações sabe que o Brasil, nos últimos tempos, tem perdido espaço nas vendas de manufaturados, apesar dos esforços da Apex-Brasil, agência de promoção comercial do Ministério da Indústria e Comércio Exterior (MDIC), para divulgar e reforçar a imagem do produto nacional no exterior por meio de participação de empresas em feiras e simpósios no País e lá fora.

Ainda bem que as exportações de commodities têm evoluído de maneira significativa, pois pelo menos mantém em certo equilíbrio a balança comercial. Pior seria se também tivessem entrado em faixa descendente, até porque o Brasil não tem a menor influência em suas cotações. Hoje, apenas 20% das vendas brasileiras ao exterior são de manufaturados, o que permite ao Brasil uma participação modesta de 1,3% nas exportações mundiais.

Obviamente, melhor seria se fosse o inverso, pois são os manufaturados que agregam valor e criam empregos, estimulando o mercado interno. Mas isso não se dá, entre outras razões, por causa dos elevados custos que incidem sobre o manufaturado nacional. E não são apenas os impostos que recaem diretamente sobre o produto nacional que tiram o poder de competição de seu preço.

Isso ocorre até mesmo onde não se imagina que haja perdas. É o caso do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), que incide sobre o combustível dos navios que operam nas linhas domésticas. A princípio, a cabotagem nada tem a ver com o mercado internacional, mas isto não passa de um ledo engano.

Explica-se: as empresas armadoras, em função da necessidade de alcançar competitividade, têm construído navios cada vez maiores e formado joint ventures que permitem o transporte de cargas de um número cada vez maior de armadores. Acontece que, no Brasil, em razão das conhecidas deficiências de infraestrutura, há poucos portos preparados para receber esses megacargueiros. Assim, alguns portos, como o de Santos, mesmo com suas deficiências de calado, são erigidos hub ports. E muitas indústrias localizadas fora da região Sudeste são obrigadas a recorrer a um transporte doméstico de grandes distâncias, o que acaba por encarecer em demasia o produto.

O mesmo problema se dá também na importação. Ou seja, o produto chega ao porto de Santos e precisa ser transportado para outros Estados por navios de cabotagem, pois para longas distâncias o caminhão torna-se quase inviável. Sem contar a precariedade de algumas estradas. Ocorre, porém, que, enquanto o ICMS no combustível dos navios de longo curso é zerado, na cabotagem é cobrado.

Isso também tem contribuído para que a quantidade de empresas exportadoras sofra queda ano a ano, enquanto cresce de forma acelerada o número de empresas importadoras. Em outras palavras: o Brasil importa cada vez mais produtos manufaturados, reforçando o fenômeno da desindustrialização e suas consequências trágicas, como o fechamento de postos de trabalho. Milton Lourenço - Brasil


__________________________________

Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Portugal – Rutz, calçado de cortiça amigo do ambiente

De uma paixão por sapatos e do desejo de inovar e unir duas das maiores indústrias portuguesas nasceu a 4 de janeiro de 2012 a Rutz, que concilia da melhor forma as origens e tradições portuguesas na cortiça e no calçado com a inovação e a preservação do meio-ambiente. Os grandes responsáveis desta marca, sedeada em Lisboa, são Raquel Castro e Hugo Baptista. Rutz deriva do inglês “roots” e em português significa caminhos ou raízes.



A cortiça é o elemento comum a todas as coleções da marca, sendo depois combinada com outros materiais amigos do ambiente, como por exemplo as peles sem crómio que “não utilizam qualquer químico para a sua transformação”, explica a Rutz. Para a marca, a cortiça é uma matéria-prima com várias vantagens: é um material natural, à prova de água, respirável, altamente resistente, lavável, flexível e, acima de tudo, amigo do ambiente.

Com coleções “modernas, sofisticadas e elegantes” em que existe um “cunho de origem e de tradição”, a Rutz dispõe de uma gama de calçado de senhora, homem e criança, mas também marroquinaria e bijuteria para senhora e homem. A última novidade foi o lançamento de uma coleção de objetos para a casa, que inclui cerâmicas e copos. Na linha BASIC estão disponíveis alpergatas com um preço médio de 40 euros e no calçado mais premium os preços médios rondam os 150 euros no segmento mulher, 180 euros no segmento homem e 55 euros no calçado de criança. Se procura malas o valor médio é de 140 euros e na bijuteria ronda os 25 euros.

As peças da Rutz são totalmente produzidas em Portugal em seis fábricas, duas em São João da Madeira e as restantes na Benedita, em Alcobaça. A Rutz tem neste momento duas lojas de marca própria na Baixa de Lisboa e no LX Factory, mas as peças com o selo da marca também podem ser encontradas no Porto, na Batalha, em Vila Real, em Coimbra ou na loja online. Atualmente o mercado nacional representa cerca de 44 por cento das vendas da Rutz, que já exporta para os EUA, Canadá, Alemanha, Suíça, Bélgica, Itália, Espanha, Coreia do Sul e Austrália. In “I Like This” - Portugal


Internacional – Antiga presidente da Libéria recebe Prémio Ibrahim

A ex-presidente da Libéria Ellen Johnson Sirleaf foi recentemente anunciada como a quinta vencedora do prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana, que esteve vários anos sem ser atribuído.

Ellen Johnson Sirleaf, presidente da Libéria durante dois mandatos, entre 2006 a 2017, foi distinguida pela liderança excecional e transformadora na recuperação da Libéria após muitos anos de guerra civil.

O presidente do Comité do Prémio, Salim Ahmed Salim, afirmou: "Ellen Johnson Sirleaf tomou o comando da Libéria após o país ter sido completamente destruído pela guerra civil e conduziu um processo de reconciliação concentrado na construção da unidade nacional e de fortes instituições democráticas. Ao longo de seus dois mandatos, ela trabalhou incansavelmente em nome do povo da Libéria".

Mesmo se foram cometidas algumas falhas nestes 12 anos, refere, o comité considera que a antiga chefe de Estado "lançou as bases sobre as quais a Libéria pode agora construir um futuro melhor".

Desde 2006, a Libéria é o único país a melhorar em todas as categorias e subcategorias do Índice Ibrahim de Governança Africana, tendo subido dez lugares na classificação geral do Índice, para 28.º lugar em 58 países.

Todos os anos, são candidatos ao prémio ex-chefes de Estado ou de governo africanos que cessaram funções nos três últimos anos civis (neste caso, entre 2014 e 2016) após terem sido democraticamente eleitos e cumprido o seu mandato de acordo com a constituição do país.

O objetivo do Prémio Ibrahim visa distinguir líderes que, durante o seu mandato, ajudaram a desenvolver os seus países, fortalecendo a democracia e os direitos humanos e estimulando o desenvolvimento sustentável.

O prémio foi lançado em 2006, mas até agora só foi atribuído cinco vezes, duas das quais a antigos chefes de Estado lusófonos: Joaquim Chissano, de Moçambique, em 2007, e Pedro Pires, de Cabo Verde, em 2011.

Festus Mogae, do Botsuana (2008), e Hifikepunye Pohamba, da Namíbia (2014), foram os dois outros laureados, enquanto Nelson Mandela foi distinguido como vencedor honorário inaugural, em 2007.

No júri fazem parte Graça Machel, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Aïcha Diallo, ex-ministra da Educação da Guiné, Martti Ahttisaari, ex-presidente da Finlândia, Mohamed ElBaradei, antigo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson, Festus Mogae e Horst Köhler, ex-presidente da Alemanha.

Criado pela Fundação Mo Ibrahim, financiada pelo empresário sudanês com o mesmo nome, o prémio pretende oferecer segurança monetária a dirigentes africanos que abandonem o poder.

O valor do prémio, no valor total de cinco milhões de dólares norte-americanos (quatro milhões de euros no câmbio atual), é distribuído durante dez anos, período após o qual os vencedores passam a receber 200 mil dólares (163 mil euros) por ano. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Suíça – Extracção de metais preciosos do lixo

Uma instalação moderna na região de Zurique, que separa metais preciosos de entulhos, acabou se revelando como uma verdadeira mina de ouro, com algumas descobertas que produzem milhões de francos. É um excelente exemplo de como é possível recuperar matérias-primas valiosas do lixo




Cerca de 300 toneladas de entulho chegam diariamente por caminhão e trem na usina KEZO, em Hinwil. O material já passou pelos fornos de outras plantas de incineração e contém metais preciosos. Os restos são tratados por uma máquina de triagem moderna, que funciona com baixa pressão e é hermética para não gerar poeira. O entulho passa por um labirinto de tubos, correias transportadoras e peneiras. A máquina sacode, agita e sopra as peças de metal - bronze, ferro, ouro, prata e cobre - separando-as em diferentes tamanhos.

O granulado de metal é então enviado para a Alemanha, Suécia e Bélgica, onde as incineradoras transformam os metais em cobre puro, prata, alumínio e ouro. Em 2017, a fábrica de Hinwil produziu 65 kg de ouro no valor de 2,1 milhões de francos e 1.750 kg de prata no valor 800 mil francos. In “Swissinfo” - Suíça

Moçambique – Aeródromo de Mocímboa da Praia reabilitado

O Governo moçambicano não vai reduzir os pontos de entrada de aeronaves que fazem voos internacionais de e para o País, anunciou na passada segunda-feira, 12 de Fevereiro, o ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita.

Falando na cerimónia da reabertura do Aeródromo de Mocímboa da Praia para o tráfego internacional não regular, Mesquita justificou a posição do Governo de manter os pontos de entrada aérea no País, pela necessidade de atender às demandas específicas de desenvolvimento, geradas nas diferentes regiões do País.


“A abertura de Mocímboa da Praia como mais um ponto de entrada é uma demonstração clara de que o Governo assume que o País ainda não está em condições de reduzir os pontos de entrada, dada a necessidade de atender as dinâmicas do desenvolvimento nos diversos pontos do País, por isso, reitero uma vez mais, que o Governo não vai reduzir os pontos de entrada no País”, disse Mesquita.

Esta posição põe termo ao debate que fluía sobre a necessidade da redução dos actuais nove pontos de entrada, nomeadamente os aeroportos de Maputo, Inhambane, Vilanculos, Beira, Tete, Lichinga, Nampula, Nacala e Pemba, para apenas três, designadamente Maputo, Beira e Nacala.

Falando, especificamente, sobre o impacto da reabertura de Mocímboa da Praia ao tráfego internacional, Mesquita sublinhou que esta decisão visa facilitar o acesso à região norte da província de Cabo Delgado, a partir do exterior, respondendo deste modo a crescente demanda deste serviço, impulsionado pelo desenvolvimento da indústria de hidrocarbonetos, que está a fluir na Bacia do Rovuma, bem como o turismo internacional.

Na componente da indústria de hidrocarbonetos, espera-se que Mocímboa da Praia passe a ser um nó logístico fundamental para o transporte aéreo dos equipamentos e prestação de serviços necessários para a construção e desenvolvimento das plataformas do Gás Natural Liquefeito (GNL) e seus derivados.

Na dinamização do Turismo, com a reabertura deste aeródromo espera-se dar resposta à preocupação dos operadores turísticos, que antes precisavam de ir a Pemba para cumprir com as formalidades oficiais de fronteira, passando a dispor de um serviço local e próximo, o que vai tornar os serviços mais competitivos e atractivos.

“Assim, exortamos a todos os intervenientes da cadeia produtiva desta região, sobretudo, os operadores aereoportuários e do ramo do turismo, agências de viagem e outros, para que se organizem para a exploração cabal do potencial gerado pelo tráfego aéreo internacional agora disponível em Mocímboa da Praia”, disse Carlos Mesquita.

Para o governador de Cabo Delgado, a reabertura do Aeródromo de Mocímboa da Praia ao tráfego internacional representa uma oportunidade ímpar para a dinamização do desenvolvimento de Mocímboa da Praia e do Norte de Cabo Delgado. Exortou igualmente ao Governo Distrital e às autoridades municipais locais para a conservação da infra-estrutura, evitando construções no perímetro do aeródromo, entre outras práticas que possam minar o bom funcionamento daquela infra-estrutura.

Para a reabertura ao tráfego internacional, o Aeródromo de Mocímboa da Praia beneficiou de melhorias significativas, através dum investimento de cerca de 24 milhões de Meticais que permitiram a ampliação do perímetro de vedação, melhoria do estado da pista de aterragem e respectivos caminhos de circulação, iluminação, sinalização, comunicações e outras intervenções que vão conferir melhor qualidade e segurança à aeronavigabilidade.

Em Cabo Delgado, o ministro dos Transportes e Comunicações inteirou-se do ritmo de implementação dos principais Projectos do sector na Província e visitou, igualmente, as obras de montagem do emissor local, no quadro do projecto de migração de radiodifusão analógica para digital. In “Fim de Semana” - Moçambique

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Macau - Instituto Politécnico lança aplicação para telemóvel de português para chineses

A aplicação "Diz lá!" pretende ajudar pessoas de Macau e do interior da China a aprender português

O Instituto Politécnico de Macau (IPM) lançou para o mercado, "uma aplicação pioneira" para telemóveis, de aprendizagem da língua portuguesa para estudantes chineses.

A aplicação "Diz lá!" pretende ajudar pessoas de Macau e do interior da China a aprender português, a facilitar a comunicação dos chineses que vão aos países lusófonos para fins de comércio e de turismo e quebrar os obstáculos e as limitações na área da aprendizagem da língua portuguesa.

"É um desafio para as instituições de ensino superior, saberem fazer parte do futuro", disse o director do Centro Pedagógico e Científico de Língua Portuguesa (CPCLP) do IPM, Carlos André, na apresentação da aplicação, na presença, entre outros, do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, e do presidente do IPM, Lei Heong Iok.

A aplicação possui diálogos com pronúncia do português europeu, mais de mil frases usadas na vida quotidiana, 400 verbos usuais conjugados e 15 mil menos usuais, além da funcionalidade "palavra do dia", permitindo aos utilizadores aprender respostas a questões, a fazer perguntas e a apresentarem-se, em 23 cenários diferentes.

O público-alvo da aplicação é, à partida, de vários milhares. "Só na China, temos quatro mil estudantes universitários. Mas há milhares de chineses no mundo que não estão ligados a um sistema de ensino", que vão poder descarregar esta aplicação, disse à margem da cerimónia.

"Tem a ver com a necessidade que as pessoas têm do português. Não há nada igual a isto no mundo", sublinhou.

Este "trabalho pioneiro coloca Macau na vanguarda da aprendizagem de português na China", acrescentou o responsável, sublinhando o trabalho desenvolvido das equipas do Laboratório de Tradução Automática Chinês-Português-Inglês, de especialistas bilingues provenientes de Portugal e de Macau, e do CPCLP, na realização da aplicação, que vai ser actualizada trimestralmente.

Carlos André lembrou ter sido "uma frase perdida" de Alexis Tam, no meio de uma conversa, que resultou nesta aplicação, que dá ao IPM a possibilidade de "fazer parte das mudanças da história".

Para o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, esta aplicação do IPM permite entrar numa "nova era" de desenvolvimento de instrumentos, no telemóvel, de ensino da língua portuguesa para falantes de chinês, resultado da estratégia de reforço do ensino de português de Macau.

"Do básico ao ensino superior há uma multiplicação de iniciativas para transformar Macau numa base qualificada de talentos bilingues", afirmou, na cerimónia de lançamento da aplicação e de vários livros de ensino do português.

O CPCLP apresentou ainda oito manuais pedagógicos, elaborados por professores do centro, em conjunto com especialistas chineses, que vão ser todos disponibilizados online. In "Público" - Portugal