Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 24 de setembro de 2017

No teu poema













Vamos aprender português, cantando


No teu poema
existe um verso em branco e sem medida
um corpo que respira, um céu aberto
janela debruçada para a vida.

No teu poema
existe a dor calada lá no fundo
o passo da coragem em casa escura
e aberta, uma varanda para o mundo.

Existe a noite
o riso e a voz refeita à luz do dia
a festa da senhora da agonia
e o cansaço do corpo que adormece em cama fria.

Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte
o risco, a raiva, a luta de quem cai ou que resiste
que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
existe o grito e o eco da metralha
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonos inquietos de quem falha.

No teu poema
existe um cantochão alentejano
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.

Existe um rio
o canto em vozes juntas, vozes certas
canção de uma só letra
e um só destino a embarcar
no cais da nova nau das descobertas

Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste
que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera… do futuro.


Simone de Oliveira - Portugal


Lusofonia – LusoAvia 1º Encontro Internacional de Aviação dos Países Lusófonos

CEO e ‘chairman’ da TAP reúnem-se com presidentes das companhias aéreas da CPLP em outubro



O LusoAvia - 1º Encontro Internacional de Aviação dos Países Lusófonos vai realizar-se no Centro de Congressos de Lisboa de 12 a 14 de outubro. Os presidentes da TAAG, LAM juntam-se a Fernando Pinto e Miguel Frasquilho para debater formas de cooperação.

Pela primeira vez vai realizar-se um evento público que reúne os presidentes das várias companhias aéreas dos países lusófonos. A mobilidade entre países de língua portuguesa e os seus órgãos reguladores é um dos temas em debate numa conferência que vai decorrer em Lisboa entre os dias 12 e 14 de outubro.

“O LusoAvia (1º Encontro Internacional de Aviação dos Países Lusófonos) vai debater temas como a gestão aeronáutica, a aviação civil, a formação e as autoridades civis”, revela fonte da organização. Ainda segundo a organização estão confirmados já alguns gestores de topo da aviação nacional e internacional, como Fernando Pinto, CEO da TAP, Joaquim Teixeira da Cunha, que lidera a TAAG e Marco Pellegrini, da OGMA (detida pela brasileira Embraer).

“O grande objetivo do LusoAvia, que vai reunir alguns dos maiores decisores do setor da aviação, é estabelecer novas pontes de diálogo e criar oportunidades que fomentem a cooperação institucional e fortaleçam as relações empresariais no espaço da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa”, diz fonte ligada à organização do evento. “Na CPLP cabem 9 países de 4 continentes e um total de 274 milhões de cidadãos, representativos de 12% do tráfego aéreo mundial”, realça.

“Este é um evento original e sem paralelo no mundo da aviação. A união de um setor em torno de uma língua comum abre portas para o conhecimento e para desenvolvimento económico mútuo. Vamos reunir profissionais dos aeroportos, autoridades civis, universidades, academias de aviação, embaixadores, decisores políticos, construtores, prestadores de serviços e fornecedores num encontro de trabalho e de debate dos temas mais pertinentes do setor”, afirma Frederico Fernandes, CEO da LusoAvia.

No primeiro de três dias de encontro será discutida a mobilidade entre países de língua portuguesa e os seus órgãos reguladores, sendo que o painel de convidados integra Fernando Pinto, Marco Pellegrini e os presidentes da ANAC, Luís Ribeiro e da NAV, Albano Coutinho.

A 13 de outubro, segundo dia de evento, “os grandes temas em debate vão desde a aviação civil da Lusofonia às novas rotas e desafios impostos pelo setor em resposta às necessidades de mobilidade mundial”, diz a organização.

Paulo Menezes, CEO da SATA, Joaquim Teixeira da Cunha, da TAAG, António Pinto, CEO da LAM, e Miguel Frasquilho, presidente do Concelho de Administração da TAP são alguns dos nomes confirmados.

“O último dos dias do LusoAvia vai ser dedicado à formação na Lusofonia e a todos os profissionais” da indústria da Aviação – “José Correia Guedes, piloto e consagrado autor, Rui Castro e Quadros, BSc Aviation Management Program Coordinator no ISEC e José Raposo, Coordenador do centro de treino SATA são apenas alguns dos convidados presentes no terceiro e último dia do 1º Encontro Internacional de Aviação dos Países Lusófonos”, anuncia a organização da conferência.

“Paralelamente aos painéis de debate existirá um espaço designado de ‘Bolsa de Formação’, especialmente dedicado à formação e recrutamento, assim como ao esclarecimento de legislação de aeronaves não tripuladas, de acesso gratuito”, revela a organização.

Este é um evento promovido pela NewsAvia, gestora de um projeto mundial, com mais de 8 milhões de leitores, em conjunto com a Comissão Empresarial da Comunidade dos Países de Expressão Portuguesa e a Start-Up Madeira, entre outros. M. Teixeira Alves – Portugal in “Jornal Económico”

Para mais informações aceda aqui.

Internacional - Nasce uma nova geração de motores para carros elétricos

Ímãs sem terras raras

Embora grande parte dos fabricantes de automóveis já tenha anunciado planos para converter seus carros - totalmente ou parcialmente - para versões elétricas, abandonando o centenário motor a combustão, ainda há alguns gargalos para viabilizar uma mudança em larga escala.

A principal delas é que os motores para carros elétricos dependem largamente de ímãs de terras raras. Embora não sejam exatamente raros, esses minerais são difíceis de processar, custam caro e, sobretudo, têm uma oferta reduzida.

É por isso que tem havido um esforço para fabricar ímãs de alto desempenho sem terras raras.

Um desses esforços é o projeto Armeva, financiado pela União Europeia.

"O objetivo que estabelecemos para nós mesmos foi a elaboração de uma solução que não envolva materiais de terras raras, mas que, no entanto, tenha um desempenho pelo menos tão bom quanto os melhores motores elétricos de hoje," disse Saphir Faid, gerente do projeto.

Motor de relutância comutada

Em apenas dois anos, a equipe desenvolveu uma nova tecnologia que, além de cumprir sua proposta de desempenho, mostrou-se factível economicamente.

A solução baseia-se em um princípio diferente do utilizado nos motores elétricos atuais. "A maioria dos motores elétricos no mercado hoje são baseados na força Lorentz," explica Faid. "Eles exploram um princípio pelo qual uma corrente [elétrica] que passa por um condutor colocado sob um campo magnético produzirá uma força perpendicular à corrente e ao campo magnético".

A nova tecnologia se baseia no princípio da relutância, um fenômeno que afeta o fluxo magnético de forma semelhante à da resistência em um circuito elétrico. "Basicamente," explica Faid, "baseia-se no fato de que um objeto em um campo magnético irá alinhar-se de tal forma que o fluxo magnético seja maximizado".

O movimento do objeto que tenta se alinhar ao fluxo pode ser usado para transformar a eletricidade em energia mecânica, e existem várias maneiras de fazer isto. Após uma análise de três métodos particularmente promissores, a equipe do projeto Armeva optou pela relutância comutada. É uma técnica pela qual um rotor gira conforme se ajusta a rápida mudanças no campo magnético, com essas mudanças sendo induzidas eletronicamente para os diferentes pólos do motor de forma síncrona com a posição real e o movimento do rotor.

É uma abordagem com potencial já reconhecido, mas que havia se deparado com alguns problemas sérios, entre eles a complexidade do projeto e do seu controle, além de bastante vibração e ruído.

A equipe afirma ter encontrado maneiras de enfrentar esses problemas e acredita estar muito próximo de viabilizar a tecnologia em escala industrial, tanto do ponto de vista técnico como econômico.



Conversão de carro elétrico

A demonstração da tecnologia incluiu a substituição do motor de um veículo elétrico comercial por um novo motor construído com a tecnologia Armeva - ambos têm basicamente o mesmo tamanho.

Os resultados foram convincentes, embora a equipe só agora vá entrar na fase de otimização do desempenho do motor e do desenvolvimento da tecnologia de fabricação em escala industrial.

Faid acrescenta que os primeiros contatos com a indústria automobilística já estão em curso: "Ainda estamos avaliando e otimizando essa tecnologia. Despertamos o interesse de vários clientes potenciais, então estamos discutindo possíveis cenários para comercialização com eles." In “Inovação Tecnológica” - Brasil

sábado, 23 de setembro de 2017

Angola – Inauguração do memorial à batalha de Cuito Cuanavale

Luanda - Angola inaugurou na passada terça-feira, 19 de Setembro, o Memorial à Batalha de Cuito Cuanavale, no sul de Angola, como homenagem às forças angolanas e cubanas que derrotaram grupos armados apoiados pelo regime do apartheid sul-africano.

A obra, cuja primeira fase ocupa 3,5 hectares, tem forma de pirâmide que simboliza a resistência dos combatentes contra tropas da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) que pretendiam derrotar o governo ou ao menos desmembrar o país com o apoio do regime de Pretoria.

Integram ademais o conjunto uma estátua de dois soldados que levantam a bandeira nacional, e dois espelhos de água que simbolizam os rios Cuito e Cuanavale.



Numa peça de vidro poderão depositar-se flores em honra aos que caíram.

Em outras fases edificar-se-ão um centro de conferências, uma biblioteca e um museu, no que será mostrado o equipamento militar empregado pelos protagonistas dos combates que duraram de 15 de novembro de 1987 a 23 de março de 1988.

Seguidamente construir-se-á uma vila turística com 120 apartamentos, uma piscina, dois restaurantes, centros comerciais. Também levantar-se-ão 12 residências para fins protocolares.

O fim da batalha obrigou ao então regime sul-africano assinar os acordos de paz em Nova Iorque em 1988 a quatro bandas: Angola, Cuba, África do Sul e os Estados Unidos.

Com esse acordo mudou a história na zona austral do continente ao conseguir-se a independência de Namíbia e ao começar a desmontagem do apartheid. In “Prensa Latina” - Brasil

Catalunha – Francisco Franco, o ditador, regressou vitorioso

O processo de independência do povo catalão, promovido através da convocatória ao voto em 1 de outubro e suportado pela lei do referendo e pela lei da transitoriedade, encontrou uma incalculável resistência do governo presidido por Mariano Rajoy, cujas medidas confirmam que a Constituição de Francisco Franco continua em vigor na sua essência.



O ditador governou o país com uma mão de ferro. Dados aproximados indicam que cerca de 150 mil pessoas morreram entre 1936 e 1943, de acordo com documentos desclassificados e vários historiadores, em tempos da guerra civil e violência generalizada, sofrida tanto por republicanos como por outros opositores e membros de organizações políticas e sindicais.

Numa aplicação duma estratégia política, cultural, social, económica e laboral, aplicaram-se multas, apreensão de activos, arresto de contas bancárias, despedimentos, desqualificação laboral e profissional. Anulou-se a liberdade de expressão mediante a censura aos meios de comunicação social, juntamente com a proibição de reunião e a prisão ou a morte como medidas imparáveis. A repressão era a bandeira.

Em coerência com tal legado, Mariano Rajoy ordenou um pacote repressivo que inclui a obrigação para os autarcas investigados por assegurarem o referendo, comparecer perante juízes e procuradores sob pena de sanções. De igual modo, suspende a autonomia financeira da Catalunha e controla as suas contas, exigindo que os bancos controlem estritamente todos os movimentos do governo catalão e condicionem o pagamento de salários a milhares de funcionários públicos, servidores públicos e fornecedores.

Além disso, a Guarda Civil apreendeu milhares de cartazes de propaganda da Generalitat, notificações para as assembleias de voto e registos de eleitores, tudo no quadro de registos em empresas de distribuição, tipografias e comunicação social, bem como fez detenções arbitrárias.

Não é necessário grande esforço para recordar o regime fascista quando as forças de segurança confiscam urnas, votos e propaganda, fecham sítios de informação sobre o referendo e, até mesmo proíbem actos a favor da consulta, são medidas destinadas a atemorizar. Cabe recordar que o Tribunal Superior da Justiça da Catalunha solicitou à TV3, a televisão pública catalã, que limite a sua informação sobre o referendo de autodeterminação.

A Generalitat, por sua vez, insistiu na continuação do processo e interpôs recurso ao Supremo Tribunal espanhol para evitar a perda de sua autonomia financeira. Oriol Junqueras, vice-presidente do sistema autonómico catalão, expõe que o congelamento de contas tem por objetivo acabar com a autonomia da Catalunha, uma decisão que só poderia ser tomada pelo artigo 155 da Constituição, o que exigiria um debate prévio e uma votação de maioria absoluta no Senado. Juntamente com a comunidade catalã, muitos sectores da Espanha apoiam a luta pelos direitos civis na Catalunha, aos quais são adicionados avisos dos líderes internacionais sobre o caminho que este processo pode levar se não se recorrer à prudência.

Num país onde o neoliberalismo ou o capitalismo selvagem se instalou nos seus limites extremos, especialmente a partir do ex-primeiro-ministro Felipe González - caminho ractificado com Rajoy - e onde estima-se que cinquenta e oito mil novos ricos e um milhão e quatrocentos mil novos pobres são o resultado dos últimos quatro anos, seria preciso perguntar o que aconteceria agora.

No caso da votação for impedida através da violência do Estado, é muito provável que a situação interna se agrave e obrigue a um estado de excepção, recolher obrigatório e mais agressão, devido à resposta previsível dos cidadãos catalães. Como se sabe, os resultados da consulta, antes da repressão de Rajoy, poderiam ter negado a independência; agora é possível que um sector maioritário o aprove, dado os atropelos contra a população, a sua liberdade e os seus direitos.

Também é possível que uma percentagem que se opõe à independência não vá votar, e aumentará com aqueles que temem pelas suas vidas e das suas famílias e as sanções da máquina estatal.

Se a situação ficasse incontrolável, também poderia acontecer que, cooptando o PSOE, o Artigo 155 da Constituição Nacional seria activado para suspender a autonomia da Catalunha e remover todos os poderes transferidos pelo Estado, deixando-a indefesa financeiramente e sem poder real. Tudo isso agravaria a escalada repressiva e consequências imprevisíveis.

Independentemente do resultado, todas as pessoas têm o direito de manifestar o seu próprio pensamento, que pode ser aprovado ou não. Um governo inteligente deve ter a capacidade de concordar com a autonomia em vez de provocar a separação real. Certamente, os catalães, na maioria das vezes, nunca queriam chegar a uma situação extrema como a que levou muitos não-independentistas a considerar seriamente essa alternativa, depois de serem atacados por um governo central que até viola o seu direito ao salário. Assim, o único caminho razoável, próprio de estadistas sérios, é entrar num diálogo para avançar com projectos que garantam o bem-estar da Espanha e a justa autonomia da Catalunha.

Quando algumas cidades amanhecem com cartazes que mostram o ditador Franco pedindo para não votar no referendo independentista, parece ser que um regime herdeiro do franquismo renasceu novamente das cinzas. Carlos Santa María – Chile in “RT”

Tradução "Baía da Lusofonia"

As declarações e opiniões expressas neste artigo são da exclusiva responsabilidade do autor


Carlos Santa María – Director e Professor na Universidade Católica de Valparaíso - Chile, Doutor em Filosofia e Educação pela Universidade de Barcelona, especialista em Estudos Latinoamericanos, Educação e Investigação pela Universidade de Nariño - Colômbia, Psicólogo Social na UNAD – Colômbia. Conferencista, palestrante, escritor, 18 livros publicados em geopolítica, pedagogia e desenvolvimento humano, fundador da Associação de Trabalhadores Sociais e da Comissão de Direitos Humanos - Colômbia

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Portugal – Cientistas portugueses criam vírus para testar tratamentos contra o cancro

Cientistas do Instituto de Medicina Molecular (iMM) criaram um vírus de ratinho com material genético de um vírus herpes humano, para testar possíveis medicamentos contra determinados cancros causados por vírus herpes

O vírus quimera gerado quando infeta ratos é viável e provoca infeção persistente nas células que, em humanos, leva ao aparecimento de alguns tipos de cancro, como linfomas (cancros do sangue) e sarcoma de Kaposi (cancro dos tecidos vasculares que se manifesta na pele e surge nas pessoas infetadas pelo vírus da sida).

Para este trabalho de engenharia genética, a equipa usou o vírus Kaposi, um vírus do tipo herpes humano que tem um equivalente nos ratos. Ambos têm uma proteína, a LANA, que desempenha a mesma função, embora adaptável ao seu hospedeiro.

Segundo o coordenador do grupo de investigação do iMM, Pedro Simas, esta proteína tem uma "função crucial, permite ao vírus persistir no organismo, estabelecer uma infeção persistente", que, nos humanos, degenera em determinados cancros.

Sendo o vírus humano e o vírus dos ratinhos "muito parecidos", com a mesma proteína funcional, "o modelo de vírus" nos roedores "serve para extrapolar para o que acontece na infeção humana", sustentou à Lusa o investigador.

Pedro Simas explicou que se a função da proteína for inibida, o vírus não sobrevive e o tumor morre.

"Por isso, é um alvo terapêutico muito bom", frisou.

Partindo deste pressuposto, os investigadores criaram o modelo de vírus animal para testar moléculas inibidoras da proteína e ver como esta se comporta.

Os resultados do trabalho, realizado pelo Instituto de Medicina Molecular em colaboração com a Harvard Medical School, nos Estados Unidos, foram publicados na revista científica PLOS Pathogens. In “Revista PORT.COM” - Portugal

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Brasil - Pier Mauá ganha prêmio internacional pela iluminação dos guindastes históricos

Monica Lobo é a responsável pelo projeto vencedor da categoria melhor esquema de iluminação exterior - baixo orçamento e prêmio principal da revista inglesa Mondo Arc



Os guindastes datados de 1968, recém-restaurados pelo Pier Mauá e inaugurado em abril deste ano com projeto de iluminação assinado pela designer Monica Luz Lobo, acabam de conquistar uma premiação de âmbito global, da revista Mondo Arc, uma das publicações de design de iluminação mais lidas e respeitadas no mundo.

“Nós recebemos o Prêmio Darc Awards 2017 na categoria Structures Low Budget e também o Prêmio Darc of Darcs, ou Winner of the Year como o projeto mais votado em todas as categorias pelo projeto de iluminação dos guindastes do Pier Mauá. Isto representa um reconhecimento internacional do nosso trabalho e também a força que a iluminação pode ter quando interfere em equipamentos públicos de forma consciente trazendo significado, contribuindo para a renovação do espaço público”, comemora Mônica.

A ideia e o conceito do belíssimo projeto de iluminação foi de revelar a estrutura e sua imponência de escala com iluminação branco quente, conferindo ainda alma e vida por meio da iluminação com troca de cor na cabine e haste de carga.

“Desde pequena sempre achei que os guindastes remetem a animais, e essa ideia, que é até um pouco infantil, trouxe a inspiração para o conceito. Esses personagens de peças de metal são bem conhecidos pelos cariocas e, certamente, todas as crianças que colocaram olhos em um deles, relataram sua forma e tamanho com cartoons como dinossauros ou alguma outra criatura de sua imaginação. Portanto, a intenção da iluminação é dar vida a essas grandes estruturas metálicas, de forma que as pessoas possam voltar para a infância e, assim, dar asas à imaginação”, explica Mônica.

A abordagem a este conceito de iluminação consiste em revelar a estrutura principal, as “pernas e parte superior do animal”, usando inundações de LED brancos quentes, com diferentes ângulos de intensidade e feixe, aproveitando a transparência existente das cabines do operador e ao longo com o boom da grua, os “braços” da criatura imaginária, usando uma tecnologia LED RGB que adiciona movimento e pulsação a esse personagem que criaram.

Com este recurso, a estrutura se comunicará com a cidade, homenageando datas especiais de reconhecimento como outubro rosa, novembro azul, Natal ou qualquer outra data especial relacionada à cor e proporcionando um espetáculo visual para visitantes da área. O projeto de restauração levou 11 meses para ser concluído com o investimento de R$ 200 mil.

A pré-seleção foi feita por um júri multidisciplinar e depois a votação foi aberta para lighting designers e light artists. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (14). Mônica Lobo recebeu o prêmio durante a cerimônia que aconteceu em Londres, na Inglaterra.

Para Denise Lima, diretora do Pier Mauá, “os prêmios representam o reconhecimento destas duas estruturas históricas belíssimas, ícones da importância do porto para nossa cidade, e da iniciativa do Pier Mauá em investir no projeto de restauração e iluminação, que graças ao maravilhoso trabalho da designer Monica Lobo, a Praça Mauá ganhou um novo cenário noturno para ser desfrutado por cariocas e turistas! E nós estamos muito orgulhosos e felizes com essa premiação”.

Sobre os guindastes:

Os guindastes que ajudaram a construir a história econômica e sociocultural da cidade com a atividade portuária, não operam há pelo menos 20 anos. Chegaram na década de 50 e na época foram trocados por sacas de café. Os guindastes estão desativados por terem se tornado obsoletos frente às novas tecnologias e estão espalhados por toda a costa brasileira, de Manaus até Rio Grande.

A utilização de lâmpadas LED de alta eficiência permitiu manter o consumo de energia total por guindaste em torno de 720 watz, mínimo para uma estrutura deste porte, enquanto o normal seria em média 4 mil watz. In “Pier Mauá” - Brasil