Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Timor-Leste - TPA anuncia que Timor-Leste e Austrália acordam texto de tratado refletindo o Acordo de Pacote Abrangente de 30 de agosto

O Tribunal Permanente de Arbitragem (TPA) emitiu um comunicado de imprensa no dia 15 de outubro de 2017, na sequência das reuniões confidenciais de conciliação realizadas na semana passada em Haia, na Holanda.

O comunicado adianta que “Timor-Leste e Austrália acordaram o texto integral de um projeto de tratado”, que abrange questões como a delimitação da fronteira marítima entre os dois países no Mar de Timor, o estatuto jurídico do campo de gás de Greater Sunrise, o Regime Especial para o Greater Sunrise, o desenvolvimento do recurso e a partilha da receita. Este compromisso reflete o Acordo de Pacote Abrangente de 30 de agosto de 2017 (o “Acordo de 30 de Agosto”), anunciado em comunicado de imprensa pelo TPA, no dia 1 de setembro.

Timor-Leste e a Austrália irão agora, segundo o mais recente comunicado, prosseguir “com seus procedimentos internos de aprovação para proceder com a assinatura do Tratado”, detalhando os próximos passos das negociações.

Ao longo da semana passada, as delegações de Timor-Leste e da Austrália realizaram diversas reuniões confidenciais com a Comissão de Conciliação como parte de um diálogo estruturado que está a ser conduzido de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS, sigla inglesa). A Comissão e as delegações dos dois países encontraram-se, também, com a Joint Venture de Greater Sunrise.

Tendo alcançado um acordo sobre a delimitação da fronteira marítima, o principal foco de Timor-Leste e da Austrália será, agora, “o empenhamento com a Joint Venture de Greater Sunrise a o desenvolvimento de Greater Sunrise”.

Para ler o comunicado do TPA, de 15 de outubro (“Timor-Leste e Austrália acordam texto de tratado refletindo o Acordo de Pacote Abrangente de 30 de Agosto”), clique aqui.

Para ler o comunicado do TPA, de 1 de setembro (“Timor-Leste e Austrália alcançam marco significativo no processo de Conciliação das Fronteiras Marítimas”), clique aqui. Governo de Timor-Leste

Cabo Verde - IV Fórum Mundial de Desenvolvimento Económico Local



Cidade da Praia – O IV Fórum Mundial de Desenvolvimento Local (DEL), que terá início hoje, 17 de outubro, na Cidade da Praia, já ultrapassou os dois mil inscritos, meta inicial estabelecida pela comissão nacional organizadora.

Segundo os dados fornecidos na manhã de ontem pela presidente da comissão nacional organizadora do evento, Francisca Santos, os inscritos são de mais de 85 países, sendo que cerca de 75 por cento (%) são nacionais.

Em relação à participação estrangeira, Francisca Santos disse que a maioria dos delegados, cerca 40%, são oriundos dos países da África, seguido de Europa, da América e da Ásia.

Os delegados começaram a chegar desde sábado, 14, e Francisca Santos assegura que, neste momento, toda a logística já está montada para garantir que o evento decorra na normalidade.

O IV Fórum Mundial DEL acontece de 17 a 20 deste mês, no Estádio Nacional, na Cidade da Praia e tem como tema central “Desenvolvimento Económico Local (DEL) como meio para alcançar igualdade e equidade e coesão no quadro da localização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentado (ODS)”.

O fórum tem por objectivo promover o diálogo, partilhar experiências e estimular parcerias para as acções concretas em matéria de desenvolvimento económico e local.

O evento contará com mais de 190 oradores para cerca de 50 sessões (sessão plenária, diálogos políticos, painel interativo, sessão de aprendizagem) onde vão ser debatidos temas ligados ao desenvolvimento económico local, no quadro dos ODS. In “Infopress” – Cabo Verde

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

UCCLA - Acolhe 1.ª Conferência da Academia do Protocolo - Relações Multiculturais dos Países Afro-Ibero-Americanos

A UCCLA será o palco da 1.ª Conferência da Academia do Protocolo - Relações Multiculturais dos Países Afro-Ibero-Americanos, no dia 18 de outubro, organizado pela Matriz Portuguesa. Trata-se de um programa internacional cultural, diplomático, académico e empresarial composto por mesas redondas e encontros subordinados à temática protocolar e das relações multiculturais e empresariais.

O objetivo da conferência é proporcionar um meio privilegiado para encontros pluriculturais e multiculturais de responsáveis de Protocolo e Relações Internacionais da esfera Afro-Ibero-Americana, favorecendo as relações culturais, empresarias, sociais, académicas e políticas.

Esta conferência tem como destinatários o Corpo Diplomático; responsáveis do Protocolo e Relações Internacionais das entidades oficiais e empresariais nacionais e estrangeiras, sediadas em Portugal; membros da direção das Câmaras de Comércio e Indústria, dos Centros Culturais e das Associações de Amizade dos Países Afro-Ibero-Americanos; empresários; administradores de empresas públicas e privadas; Parceiros da Matriz Portuguesa; estudantes do curso de Relações Internacionais e de Protocolo.

A inscrição para a conferência é de 55€ por pessoa.



Mais informações contatar:

Matriz Portuguesa - MPADC - Associação para o Desenvolvimento da Cultura e do Conhecimento
Avenida da Liberdade, nº 129 B
1250-140 Lisboa
Tel. +351 21 325 40 50 | Telem. +351 91 287 10 44
matriz@matriz-portuguesa.pt | www.matriz-portuguesa.pt

Academia de Protocolo
Avenida da Liberdade, nº 129 B
1250-140 Lisboa
Tel. +351 21 325 40 50 | Telem. +351 91 287 10 44
matriz@matriz-portuguesa.pt  http://www.portugalprotocolo.com/ACADEMIA.php


São Tomé e Príncipe – Chocolate, a aposta para o mercado internacional

São Tomé – O ministro da Agricultura são-tomense anunciou, na passada semana, em São Tomé, a intenção de lançar no mercado internacional, em 2018, uma marca de chocolate produzido em São Tomé e Príncipe.

Segundo o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Teodorico Campos, que deu a conhecer a boa nova, a produção e comercialização deste produto insere-se no quadro de diversificação de produção cacauzal e da aposta na qualidade.

De acordo com este responsável, adopção de estratégia de qualidade na exportação visa, entre outros, fazer face a pequenez territorial do país, o excesso do produto no mercado mundial e a existência de matéria-prima interna assim como de recursos humanos.

A iniciativa de fabrico de chocolate, ao qual não ignora a existência de parceiros internos com algumas acções já em curso, é mais um valor acrescentado para o arquipélago são-tomense e de afirmação da marca “São Tomé e Príncipe” no mundo exterior.

O governante que falava a propósito do dia Mundial de Alimentação, a ser celebrado hoje, 16 de outubro, ao qual reiterou que no seu país “ninguém morre de fome”.

Campos justifica a sua afirmação com o facto das ilhas, possuírem uma boa capacidade pluviométrica, a terra ser fértil e haver ciclos sazonais de produção.

“E, todos esses factores, sinais de que Deus nos abençoou, devemos aproveita-los e tirar dela, o melhor proveito, mesmo no domínio de chocolate”, acredita, defendendo, a instalação de uma fábrica de chocolate.

“Trata-se sim, de uma das nossas ambições que datam de anos”, recordou, pontuando “capacidade de transformação de matéria-prima”, explicou.

Em comunicação a Nação via televisão pública, TVS, Teodorico Campos, assegurou também, que o Governo do qual faz parte tem em vista o reforço de acções visando auto-suficiência agro-alimentar a fim de maior competência nutricional aos são-tomenses.

Para tal, além de irrigação gota à gota e expressiva, autoridades têm em curso a incrementação de horticultura em estufa em diversas localidades do arquipélago, com maior atenção para a Região Autónoma do Príncipe.

A ilha do Príncipe, porque trata-se de uma parcela de território nacional, onde se regista escassez de hortícolas, devido a maior capacidade pluviosidade da ilha.

Ainda nessa aposta de garantia de assistência agro-alimentar visando auto-suficiência alimentar, autoridades, segundo ainda este governante, aposta na suinicultura está a produzir resultados altamente positivos, mercê da cooperação com a República Popular da China.

Assim, acções de cruzamento de diferentes espécies de suínos, em Nova Olinda vão em breve traduzir-se na colocação no mercado de grande produção de carne de Porco.

Nessa perspectiva de segurança alimentar e nutricional, Teodorico Campos, reiterou que aposta das autoridades visa “o bem-estar de cada cidadão são-tomense”. In “Agência Noticiosa de São Tomé e Príncipe” – São Tomé e Príncipe

domingo, 15 de outubro de 2017

Página virada











Vamos aprender português, cantando


Coisas doces, baby

Tu dizes que tens pena de mim
e que homem como tu jamais eu vou encontrar
tu dizes que eu sou nada sem ti, yeah
e que se eu for mais tarde eu vou implorar pra voltares

Mas deixa eu te dizer, não é bem assim
deixa eu te dizer, não vejo a hora de me livrar de ti
eu quero-te dizer, já me habituei com o fim
quero-te dizer, quero-te dizer que...

Hoje eu decidi que já não vou-me rebaixar
já não vou-me contentar com pouco, com pouco
decidi que agora eu vou procurar
um homem que me saiba amar um pouco, um pouco yeah

Diz-me lá o quê que te confunde?
Será o teu carro, será dinheiro?
Será o rosto lindo que tu tens
que te fazem sentir o melhor homem do mundo?
Mas deixa-me dizer-te que o meu amor não tem preço, não
tu achas que o dinheiro equivale a amor ou que elimina a dor

Mas deixa eu te dizer, não é bem assim
deixa eu te dizer, não vejo a hora de me livrar de ti
eu quero te dizer, já me habituei com o fim
quero-te dizer, quero te dizer que...

Hoje eu decidi que já não vou-me rebaixar
já não vou-me contentar com pouco, mais com pouco
decidi que agora eu vou procurar
um homem que me saiba amar um pouco, mais um pouco yeah

Meu amor não tem preço, não

Já não vou-me rebaixar
já não vou-me contentar com pouco, mais com pouco
decidi que agora eu vou procurar
um homem que me saiba amar um pouco, mais um pouco yeah

Meu amor não tem preço, não


Yola Araújo - Angola


Galiza - Caminho Português para Santiago é 2.º mais percorrido

O Caminho Português, também conhecido por Via Lusitana, é o segundo itinerário mais percorrido pelos peregrinos até Santiago de Compostela (Galiza), só superado pelo Caminho Francês, e o Caminho Português da Costa está em 7.º lugar na lista.

Dados do Departamento de Promoção do Turismo da Galiza, que se referem ao período de 01 de janeiro a 06 de outubro deste ano, indicam que o Caminho Português é o segundo itinerário mais percorrido” no ‘ranking’ dos sete principais Caminhos de Santiago, sendo apenas superado pelo Caminho Francês, o percurso que está em primeiro lugar na lista e que registou “158065 mil peregrinos”, o que representa 59,5% do total dos peregrinos a realizar os Caminhos de Santiago em 2017.

O Caminho Português registou entre 01 de janeiro e 06 de outubro “52902 peregrinos”, um valor que representa 19,9 por cento (%) do total de peregrinos que chegaram a Santiago de Compostela naquele período, disse à Lusa José Meirelles, do Departamento de Promoção do Turismo da Galiza, referindo que em 7.º lugar aparece o Caminho Português da Costa com 6388 peregrinos (4,41%), a realizar aquele itinerário.

O Caminho Português da Costa, que se faz junto à costa atlântica e que une os municípios portugueses do Porto, Matosinhos, Maia, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende, Viana do Castelo, Caminha, Vila Nova de Cerveira e Valença, até chegar a Santiago de Compostela.

Entre 01 de janeiro e 06 de outubro deste ano, a Galiza recebeu um total de “265584 peregrinos”, sendo que mais de metade dos peregrinos estrangeiros (54,95%) e os restantes são peregrinos espanhóis (45,05%).

Dos peregrinos estrangeiros (54,96%) registados entre janeiro e outubro deste ano, os viajantes peregrinos portugueses foram 11332 (4,27%). In “Mundo Português” - Portugal

sábado, 14 de outubro de 2017

Internacional - A aquacultura face às alterações climáticas

Investigadores das Universidades de Oregon e Princeton, nos Estados Unidos, estudaram a possibilidade dos oceanos suportarem a aquacultura, mesmo em situações de alteração climática



Um estudo recente de investigadores dos Estados Unidos concluiu que o alto mar (os oceanos, em geral) pode ser a opção mais viável para a expansão da aquacultura, fundamentando a tese na avaliação de três espécies – o salmão, a cobia (pelágicos solitários que se reúnem para a desova anual) e a dourada –, perante cenários de alterações climáticas, refere o Maritime Executive.

As operações terrestres, em baías e em estuários têm um potencial de expansão limitado devido à falta de disponibilidade de água ou espaço. As operações de aquacultura no oceano aberto, apesar do nome, situam-se geralmente suficientemente próximas para permitirem a comercialização e a redução de custos, ao mesmo tempo que dispõem de água limpa e espaço.

“A aquacultura no oceano aberto é ainda uma indústria recente e não regulamentada que, por isso, não é necessariamente ambientalmente correcta; contudo a aquacultura também é o sector da alimentação com o mais rápido crescimento a nível global”, refere James Watson, um cientista ambiental da Universidade de Oregon e co-autor do estudo.

Neste estudo, os investigadores estudaram o salmão, que cresce mais depressa nas águas polares, a dourada, mais encontrada nas águas temperadas e subtropicais, e a cobia, mais encontrada em águas sub-tropicais e tropicais. Em aquacultura de mar alto, estas espécies sobreviveriam através de técnicas de adaptação – incluindo reprodução seleccionada.

“Descobrimos que as três espécies se afastariam dos trópicos, que muitos dizem irá aquecer mais do que outras regiões”, referiu Dane Klinger, ex-pesquisador da Universidade de Princeton e principal autor do estudo. “A produção de salmão do Atlântico, por exemplo, poderia expandir-se para as latitudes mais altas, e embora possa ter dificuldades, as técnicas de adaptação podem compensar essas dificuldades; além disso, na maioria das áreas onde estas espécies são actualmente cultivadas, vão, provavelmente, aumentar as taxas de crescimento, à medida que as temperaturas aumentam”. No entanto, a aquacultura no oceano aberto não é desprovida de risco, reconhecem os pesquisadores. A recente fuga do salmão do Atlântico cultivado no Puget Sound de Washington alarmou os gestores das pescas, pois as espécies e populações introduzidas podem introduzir doenças nas espécies nativas.

Fonte primária de proteínas em todo o mundo, a aquacultura já representa mais de metade de todo o pescado para consumo humano, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, no acrónimo em inglês). Além disso, importa perceber que no final do século as temperaturas da água do mar podem vir a aumentar entre 2º e 4 ºC, de acordo com as previsões do Painel Inter-governamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC). Razão pela qual muitos investigadores perguntam quais seriam as consequências para peixes e mariscos com alto valor comercial.

Também em Tavira se estuda esta questão, através das ostras. Os biólogos marinhos querem perceber como é que o aumento dos níveis de temperatura, salinidade e acidez na água podem afectar a fisiologia das ostras. Um projecto de investigação europeu que pretende perceber como é que as alterações climáticas vão influenciar os peixes e mariscos de toda a Europa e como é que a indústria se pode adaptar, segundo refere a Euronews. In “Jornal da Economia do Mar” - Portugal

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Lançamento do livro “Os oito maridos de dona Luíza Michaela da Cruz” de Adelino Timóteo

Primeiro romance histórico do escritor

Lançamento em Lisboa, no próximo Domingo, 15 de Outubro, pelas 18H 30M, na FNAC do Chiado



Imagine-se uma mulher com oito maridos, quantos mimos teria a dar e a receber, neste dia? No plano real, eventualmente não se encontre nenhuma, mas, na ficção, tudo pode acontecer. Que o diga Adelino Timóteo, autor que, como se pretendesse questionar o padrão dos casais, aventura-se num livro que, à partida, inquieta: “Os oito maridos de dona Luíza Michaela da Cruz”.

A nova obra de Timóteo traz a história que acontece no início do terceiro quartel do século XIX, época em que o missionário inglês Livingstone propõe-se a tarefa de evangelizar e combater o tráfico de escravos nas terras do Rio Zambeze. Nessa altura, Livingstone desembarca no Prazo do Goengue, onde irá encontrar a voluptuosa mulata, de olhos vivos, que se chama, nem mais, Dona Luíza Michaela Rita da Cruz. O encontro inesperado arrasta o missionário até ao extremo da ansiedade, de acordo com o escrito, como quem se põe a descascar o fruto para chegar à polpa da mulher. E nisso vai saciando a curiosidade sobre a natureza e a vida dela, até a dar-se com os seus oito maridos”.

As peripécias da narrativa consagram o personagem estrangeiro como biógrafo de dona Luíza e da "sagrada" família Cruz, do Estado de Massangano, que dificulta a colonização portuguesa.

Não obstante, o título da nova obra de Timóteo lembra uma outra, de Jorge Amado, “Dona Flor e seus dois maridos”, mas a inspiração do autor moçambicano não partiu daí. Adelino Timóteo conta que, antes de começar a escrever, quando passava por um alfarrabista junto à Brasileira, em Lisboa, caiu-lhe às mãos o livro “História das guerras de Zambeze, Chicoa e Massangano (1954), de Filipe Gastão de Almeida Eça. Nisso, um capítulo chamou-lhe atenção, o destaque que o autor fazia à Dona Luiza, na sua percepção, tratada como uma figura digna de romance, num tema “Dona Luíza da Cruz e os seus quatro maridos”. “Recordei-me de que “Dona Flor e os seus dois maridos” escreveu o Jorge Amado em 1966. Disse cá para os meus botões, esse título é bem moçambicano. Talvez tenha sido essa a fonte de inspiração do Jorge Amado. Glosei o meu romance muito consciente de que ao nível da ficção há um vasto filão que a Zambézia daquele tempo oferece, sem ter que emprestar nada ao Jorge Amado. Podia ter escolhido outro título, mas saber que o título é muito moçambicano como a história que conto deu-me gozo de fazer um trocadilho”, afirmou Adelino Timóteo.

“Os oito maridos de dona Luíza Michaela da Cruz” recupera áurea mística e misteriosa das donas dos prazos da Zambézia. E, para o escrever, o escritor teve que investigar. Passou pelo Arquivo Histórico de Moçambique, em Maputo, lendo páginas da “Tempo” e amadurecendo ideias.

Timóteo começou a conceber o romance em Lisboa (Portugal), levando-o a San Sebastian (Espanha), depois Beira, Linz (Áustria), Amsterdão (Holanda) e Colónia (Alemanha). “Como é normal nos meus livros, fecundam num lugar e gestam em outros. Mas esta obra, em particular, rodou muito”, mas a maternidade escolhida para o parto é Moçambique, com a chancela da Alcance editores.

Adelino Timóteo assume que esta é a sua primeira experiência no romance histórico. “Respirei uma grande pulsão do Zambeze até aqui pouco referenciado, até Quelimane. Penso que descobri neste livro uma áurea misteriosa que me obrigará a escrever mais um ou dois livros sobre o lugar. Penso no Jorge Amado que escreveu cinco livros sobre o cacau. E sobre donas dos prazos até poder-se-á escrever mais”. In “O País” - Moçambique

OIT - Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo 2017: Empresas Sustentáveis e Empregos

Desenvolvimento lento de pequenas e médias empresas prejudica empregos e economia. Para impedir o aumento do desemprego no mundo, é fundamental investir em trabalhadores, inovação e ampliação do comércio e do diálogo social, afirma novo relatório da OIT



Com mais de 201 milhões de trabalhadores desempregados em 2017 – um aumento de 3,4 milhões em relação a 2016 – as empresas desempenham um papel crucial na criação de empregos decentes em todo o mundo, especialmente as pequenas e médias empresas (PME).

Entre 2003 e 2016, o número total de funcionários que trabalham em tempo integral nas PME quase dobrou. Isso significa que as PME eram responsáveis por 35% de todo o emprego no mundo em 2016, comparado a 31% em 2003. Os dados são do relatório global “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo 2017: Empresas Sustentáveis e Empregos” lançado no passado dia 09 de Outubro pela Organização Internacional do Trabalho.

No entanto, no último ano, a contribuição das PME para o emprego total estagnou. Entre 2015 e 2016, a contribuição delas para o emprego total se manteve praticamente inalterada, passando de 34,6% para 34,8%.

"As empresas do setor privado foram responsáveis pela maior parte do emprego global em 2016. Cerca de 2,8 bilhões de pessoas estavam empregadas pelo setor privado, o que representa 87% do emprego total. Para reverter a tendência recente de estagnação do emprego nas PME, precisamos de políticas para promovê-las de uma maneira melhor, assim como um ambiente de negócios melhor para todas as empresas, incluindo acesso a financiamento para as mais novas", disse a Diretora-Geral Adjunta de Políticas da OIT, Deborah Greenfield.

Nas economias em desenvolvimento, as PME representam 52% do emprego total, em comparação com 34% nas economias emergentes (incluindo o Brasil) e 41% nas economias desenvolvidas.

Além disso, entre 2003 e 2008, o crescimento do emprego permanente em tempo integral foi, em média, 4,7 pontos percentuais maior em pequenas empresas e 3,3 pontos percentuais maior em médias empresas do que em empresas maiores. No entanto, essa vantagem das PME não continuou no período entre 2009 e 2014.

A dinâmica de emprego entre as empresas novas, em termos de emprego permanente em tempo integral, também se enfraqueceu desde a crise financeira global, afirma o relatório.

Durante o período anterior à crise, a taxa de crescimento do emprego permanente em tempo integral nas empresas novas foi em média 6,9 pontos percentuais maior do que nas empresas estabelecidas. Porém, no período pós-crise, essa diferença diminuiu para 5,5 pontos percentuais. Essa mudança reflete os desenvolvimentos no ambiente geral de negócios, no qual empresas novas estão perdendo empregos num ritmo muito mais rápido do que antes.

Investir nos trabalhadores é a característica principal das empresas sustentáveis

O relatório também revela que as decisões das empresas de fornecer treinamento formal para seus funcionários permanentes estão associadas a salários mais altos, maior produtividade e menor custo de mão-de-obra por unidade produzida. Ao mesmo tempo, suas decisões de intensificar o uso de emprego temporário estão associadas a salários mais baixos e menor produtividade, sem quaisquer implicações para o custo de mão-de-obra por unidade produzida.

A evidência indica que, em média, as empresas que oferecem treinamento formal para seus funcionários permanentes que trabalham em tempo integral pagam salários 14% mais altos, são 19,6% mais produtivas e são mais competitivas, com custo de mão-de-obra por unidade produzida 5,3% menor, em comparação com as empresas que não oferecem treinamento. Além disso, em média, as empresas com uma participação de 10 pontos percentuais maior de emprego temporário em tempo integral, como parte de seu emprego total em tempo integral, pagam salários 2,6% mais baixos, são 1,9% menos produtivas e não são mais competitivas em termos de custo de mão-de-obra por unidade produzida.

Inovação e comércio impulsionam empregos e produtividade

O relatório afirma que a inovação é uma importante fonte de competitividade e criação de empregos para as empresas. As empresas inovadoras, em geral, tendem a ser mais produtivas, criar mais empregos, contratar mais mulheres trabalhadoras e empregar trabalhadores mais qualificados, o que significa que elas empregam trabalhadores mais educados e oferecem mais oportunidades de treinamento.

Em alguns casos, no entanto, a inovação levou a um uso mais intenso de trabalhadores temporários (especialmente em empresas com inovação de produtos e processos), com mais mulheres representadas no emprego temporário. Por exemplo, as empresas que implementam a inovação de produtos e processos tendem a empregar 75% mais trabalhadores temporários do que as empresas não inovadoras.

O engajamento do comércio e das empresas nas cadeias produtivas globais também são estímulos importantes para a criação de empregos e o crescimento da produtividade. Com a estagnação do comércio internacional nos últimos anos, o mesmo aconteceu com os empregos ligados ao setor. Em 2016, 37,3% dos trabalhadores estavam empregados em empresas privadas de exportação formal. Essa parcela é inferior à de antes da crise, de 38,6%. O relatório observa que as empresas exportadoras têm maior produtividade e pagam salários mais altos do que as empresas que não estão envolvidas no comércio internacional.

No entanto, as margens de produtividade para exportação e importação superam a margem de salário em 13 e 5 pontos percentuais, respectivamente, indicando que há margem para compartilhar os ganhos do comércio de forma mais inclusiva.

PME são fontes importantes de emprego para as mulheres

A pesquisa da OIT mostra que as funcionárias permanentes que trabalham em tempo integral no setor formal são mais propensas a serem encontradas nas PME do que nas grandes empresas. Em média, e em todas as regiões do mundo, cerca de 30% dos funcionários permanentes em tempo integral nas PME são mulheres, comparado com 27% nas grandes empresas.

Além disso, a participação do emprego das mulheres, particularmente nas PME, está fortemente correlacionada com a renda per capita de um país. Um número maior de mulheres nas empresas pode, portanto, ter um impacto positivo no crescimento e no desenvolvimento, porque as microempresas e as PME muitas vezes oferecem às mulheres uma porta de entrada no mercado de trabalho formal.

Por fim, o relatório da OIT insiste no papel fundamental do diálogo social entre governos, empregadores e trabalhadores para a sustentabilidade das empresas.

"Embora os governos desempenhem um papel importante na formação de instituições que promovam empresas sustentáveis e crescimento inclusivo, os trabalhadores e suas organizações defendem políticas e regulamentos adequados, assim como representação. Por sua vez, as empresas sustentáveis promovem oportunidades de emprego com igualdade, proteção e direitos dos trabalhadores, além de investirem nos trabalhadores e em outros fatores importantes de produção", concluiu Greenfield. Organização Internacional do Trabalho

Moçambique – Metro-Bus o projecto integrado de transporte de passageiros

O ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita assegurou na quarta-feira, 11 de Outubro, em Maputo, que o projecto integrado de transporte de passageiros, denominado Metro-Bus, irá melhorar as condições de mobilidade urbana, tornando o transporte público mais seguro.

Carlos Mesquita fez estes pronunciamentos no parque da empresa Caminhos de Ferro de Moçambique, local para onde se deslocou com o propósito de testemunhar a chegada, ao País, do equipamento pertencente ao projecto Metro-Bus.

Trata-se de quatro automotoras com igual número de carruagens cada, 80 autocarros com 70 lugares, 30 autocarros com 30 lugares, para além dr três veículos para a assistência de pessoas com deficiência física.

Depois de se inteirar do funcionamento do equipamento, o governante referiu que ficou bastante agradado com o que viu, sobretudo por verificar que, quer as automotoras, quer os autocarros, como os veículos de assistência, estão em boas condições técnicas e estruturais.

Acerca do projecto Metro-Bus, Carlos Mesquita referiu que o mesmo veio para complementar o programa de reforma que o Governo tem vindo a fazer no sector do transporte público, “com o propósito de melhorar as condições de mobilidade urbana, a qual pretendemos que seja mais segura”.

“Trata-se de um projecto muito bem pensado e delineado, que vai complementar o outro programa que o Governo tem, que passa pela aquisição de 300 autocarros que chegarão ao País nos próximos seis meses, sendo que o primeiro lote de 100 autocarros deve chegar ainda este ano”, considerou.

No tocante à implementação do Metro-Bus, Carlos Mesquita referiu, ainda no contexto da visita que efectuou, que tudo depende da conclusão da fase de preparação logística, o que poderá acontecer dentro dos próximos 45 dias, “por forma a que, quando a operação iniciar, seja para ficar e com todo o cuidado necessário”.

“Os equipamentos já se encontram nos Caminhos de Ferro de Moçambique, empresa com a qual a Fleet Rail, proprietária dos comboios, está neste momento a discutir aspectos relacionados com o planeamento, horários, circulação de comboios, as velocidades a usar nas vias, as terminais, os parques de estacionamento, entre outros”, explicou.

Importa referir que o projecto Metro-Bus compreende três fases, sendo que a primeira, já em curso, integra a chegada, a Maputo, de quatro automotoras, 16 carruagens e mais de 100 autocarros, estando a sua implementação prevista para 15 de Dezembro.

A segunda, que terá lugar até Junho do próximo ano, prevê a expansão do projecto até Marracuene e Boane, sendo que a terceira e última será implementada com a chegada do Metro-Bus nas fronteiras de Goba e de Ressano Garcia, bem como ao Município da Vila da Manhiça.

Com projecto integrado de transporte de passageiros, que será implementado pela Fleet Rail, espera-se que sejam transportadas 3.6 milhões de pessoas em 2018, reduzir o tráfego rodoviário nas estradas nacionais número 1 e 4, tornar os transportes públicos mais eficientes e mais seguros, bem como contribuir para a redução dos acidentes rodoviários. In “Olá Moçambique” - Moçambique

Brasil – Presente no MIPCOM apostando na diversificação de modelos de negócios

O MIPCOM, o mais importante evento de audiovisual do mundo, está prestes a começar. De 16 a 19 de outubro, as 41 produtoras brasileiras que integram a delegação do Brazilian Content, programa de exportação da BRAVI em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), circularão em Cannes com o objetivo de movimentar os negócios, especialmente com players internacionais. Muitas preparam novidades para essa edição do evento, diversificando a área de atuação, os modelos de negócios e os mercados em foco.

Uma das associadas que promete um novo caminho para aproximação dos players internacionais é a Elo Company. Essa será a primeira vez que a Elo, experiente no mercado de distribuição, apresenta-se também como produtora. Além do catálogo de longas e séries, Sabrina NudelimanWagon, CEO da empresa, leva na bagagem os projetos em produção. Eles são frutodo núcleo de desenvolvimento e produção liderado pela ex-executiva da Discovery Network, Maria Carolina Telles, e das parcerias com a rede de jornalistas BRIO para a produção de conteúdos originais investigativos e com a MCN – Rede Snack para alguns formatos multiplataformas.

Além dos conteúdos factuais, a Elo leva outras produções nas quais está envolvida: o longa “O Soldado Sem Arma”, que está em produção avançada e aborda a trajetória de AndreLiohn, maior fotógrafo de guerra da América Latina, e três séries de animação que estão sendo coproduzidas com os parceiros Singular, Mono e Birdo.

Outra distribuidora veterana no MIPCOM que leva na bagagem uma novidade para essa edição é a Sato Company, que fechou com o canal Gloob e com a TV Pinguim a representação de todos seus conteúdos para o mercado asiático. A Ásia, por sinal, tem despertado muito interesse de produtores brasileiros. “Temos muito interesse em fazer negócios com países da Ásia, que estão adquirindo cada vez mais obras ocidentais”, conta Nelson Botter Jr., diretor da TortugaStudios. A produtora parte para o MIPCOM com as séries produzidas "Os Under-Undergrounds", "A Mansão Maluca do Professor Ambrósio", além do longa-metragem "O Amor no Divã" edo projeto de série animada “Alex Green”, em parceria com a Moonshot. Botter explica que também há a expectativa de que as novas plataformas estejam cada vez mais fortes e abertas à compra de conteúdo.

Para a Sétima Cinema, estreante no MIPCOM, especializada em realizar festivais de cinema como plataformas de exibição e de vitrine para possíveis distribuidores e produtores, uma das apostas está no potencial de novos formatos, como a realidade virtual. “Estamos firmando parcerias para projetos que potencializem esse novo mercado no Brasil”, observa Ana Arruda Neiva, sócia-diretora da empresa.

A Panorâmica traz para o MIPCOM deste ano a venda de formatos de seus casos de sucesso em séries de ficção, como “Gaby Estrella”, série Infantil realizada em coprodução com a produtora Chatrone e Globosat, e indicada a importantes prêmios internacionais como Emmy International Kids e BANFF; “Sem Volta” série de ação realizada em coprodução com a produtora Chatrone e Record TV, que alcançou relevantes resultados de audiência na TV Aberta (Record TV) e TV Paga (A&E) e é distribuída internacionalmente pela Armoza Formats; e “Rotas do Ódio”, drama policial que será exibida no Universal Chanel em 2018, realizada em coprodução com a produtora Modo Operante e NBC Universal e que também é responsável pela distribuição internacional. 

Produtoras participantes

As produtoras 2DLab, 44 Toons, Alopra Estúdio, Animaking, Belli Studio, Boutique Filmes, Bromélia Produções, CabongStudios, Capelini Filmes, Chatrone, CINE Group, Conspiração Filmes, Copa Studio, Cygnus Media, Dogs CanFlyLicensing, DUE Produções, ELO Company, Estúdio Giz, FM Produções, Grifa Filmes, INPUT | artesonora, LUVA, MixerFilms, Moonshot Pictures, Panorâmica, Plateau Filmes, Prodigo Films, Pushstart, Raven Filmes, Red Studio Brasil, Rinaldi Produções, Sato Company, Sétima Cinema, Singular, Split Studio, Synapse, TortugaStudios, TV Pinguim,Up! ContentCo, Visom Digitale Zola integram a delegação do Brasil. Representantes do Rio Content Market também juntam-se ao grupo.

Sobre o Brazilian Content

O Brazilian Content é o programa internacional da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), criado em 2004 e realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Com o objetivo de promover o conteúdo audiovisual independente no mercado internacional, o Brazilian Content viabiliza parcerias entre empresas brasileiras e estrangeiras (por meio de coproduções, vendas e pré-vendas para canais de TV, internet, telefonia celular e mídias digitais). O Brasil hoje é considerado um importante mercado no cenário internacional e integra o plano de negócios de coprodução de inúmeras TVs e produtoras.

Sobre a Brasil Audiovisual Independente (BRAVI)

A BRAVI reúne produtoras independentes de conteúdo audiovisual para televisão e mídias digitais e possui mais de 600 associados em 18 unidades da Federação, nas cinco regiões do Brasil. Fundada em 1999, a associação atua fortemente para o desenvolvimento do mercado audiovisual brasileiro e representa o setor em diversos fóruns de debates públicos e privados. Com uma estrutura profissional e reconhecida representatividade nacional, a BRAVI também participa ativamente das regulamentações do mercado audiovisual, incentivando a produção e novos modelos de negócios, além de oferecer capacitação especializada ao produtor independente. Por meio de relevantes parcerias institucionais, apoia a participação do empresário brasileiro no mercado audiovisual internacional. In “Apex-Brasil” – Brasil

Poderá aceder á lista de todos os participantes internacionais aqui.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Moçambique - Especialistas de agro-negócios da CPLP reunidos em Chimoio

Decorre desde segunda-feira, em Chimoio, o II Simpósio Internacional dos Países da Língua Portuguesa (SIAGR) que reúne especialistas de agro-negócios da comunidade. O evento, que termina hoje, tem como objectivo reforçar as discussões, trocas de experiências e conhecimentos entre pesquisadores, estudantes, instituições, organizações internacionais, governos e sociedade civil organizada, envolvida com questões relacionadas ao agro-negócio dos países membros da CPLP.

O governador de Manica, Alberto Mondlane, que abriu o encontro, saudou os mentores da iniciativa por abordar temas de importância especial para a província e para Moçambique, sabido que o sector familiar continua a ser o que mais produz e garante o sustento das famílias no país.

Carlos Quembo, médico veterinário e delegado regional do centro do Instituto Nacional de Investigação Agronómica de Moçambique (IIAM) revelou no encontro que a província de Manica registou nos últimos sete anos, perdas avaliadas em cerca de oito mil milhões de meticais, resultantes de rejeições totais e parciais da carne devido a zoonoses. Durante este período, a província de Manica destruiu cerca de 53 mil quilogramas de carne diversa, em diversos matadouros.

O II Simpósio Internacional dos Países da Língua Portuguesa (SIAGR) é co-organizado pelo Instituto Superior Politécnico de Manica e o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha do Brasil

O primeiro simpósio realizou-se na cidade de Santa Maria, no Brasil, em 2014. In “Jornal de Notícias” - Moçambique

Moçambique - Projectos de centrais de energias renováveis passam a ser regulados por concursos públicos

Depois da concessão directa de duas centrais de energia solar, o Governo passa a regular o desenvolvimento de novos projectos de energias renováveis, através de concursos públicos. A adjudicação directa dos projectos de centrais solares de Metoro (Cabo Delgado) e Mocuba (Zambézia) foi feita num contexto de “emergência” e visava suprir o défice de geração de energia.

Mas, a partir de agora, os projectos de energias renováveis passarão a ser leiloados pela empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM), no âmbito da iniciativa “Promoção de leilões para energias renováveis”, lançado ontem em Maputo. Financiado pela União Europeia em quatro milhões de euros, o projecto será implementado pela EDM, em parceria com a Agência Francesa de Desenvolvimento.

A introdução de concursos públicos é justificada pela necessidade de conferir maior transparência e competitividade no sector das energias renováveis, cujo elevado potencial tem atraído investidores nacionais e internacionais. Aliás, o PCA da EDM disse que o projecto vai definir um mecanismo para a selecção dos melhores projectos do ponto de vista técnico, económico e financeiro. Por isso, Mateus Magala espera organizar e lançar o primeiro concurso público para projectos de energia solar. O recurso a fontes novas e renováveis de geração de energia é uma das apostas de Moçambique e dos parceiros que prestam assistência neste sector. Neste momento, 80 por cento da energia produzida no país usa a fonte hídrica, mas “o maior potencial está na fonte eólica”.

Já a ministra dos Recursos Minerais e Energia, Letícia Klemens, reiterou a aposta do Governo na promoção de energias renováveis, através da criação de condições necessárias que propiciem a intervenção de mais actores. Aliás, o projecto ora lançado é disso exemplo: “o Governo, através da EDM e com o apoio da AFD, deverá levar a cabo todo o trabalho preparatório, desde a identificação de projectos concretos, realização de estudos, definição dos termos e condições comerciais e regulatórias aplicáveis, permitindo aos investidores a apresentação de propostas num quadro de previsibilidade para cada projecto específico”.

A ministra destacou, também, a criação de um quadro legal apropriado para a promoção da transparência e competitividade, garantindo melhor qualidade. E citou, como um dos exemplos, a aprovação, em Maio, da lei que cria a Autoridade Reguladora de Energia, cujas funções incluem a aprovação e fixação de tarifas.

O lançamento do projecto de leilões para energias renováveis foi testemunhado pelos embaixadores da União Europeia (UE) e da França em Moçambique, além de quadros da EDM.

Centrais solares de metoro e mocuba

Sobre os projectos de energias renováveis em curso, o PCA da EDM informou que, ainda este mês, poderá ser alcançado o acordo financeiro para a primeira central fotovoltaica (solar) de 40 MW, a ser instalada em Mocuba. A central deverá iniciar o fornecimento de energia em Agosto de 2018. “Seguir-se-à a central fotovoltaica de Metoro, em Cabo Delgado, que se encontra numa fase de desenvolvimento muito avançada e que se espera iniciar a operação comercial no primeiro trimestre de 2019”, disse Mateus Magala.

Para garantir o acesso universal à energia até 2030, o governo aposta na diversificação de fontes renováveis de produção. Os projectos sociais de energias renováveis são desenvolvidos pelo Fundo de Energia (FUNAE), enquanto os comerciais estão a cargo da EDM. Emídio Beúla – Moçambique in “O País”

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Lançamento da obra “A Guerra na África Austral” na UCCLA



Terá lugar no dia 12 de outubro, pelas 18 horas, o lançamento da obra “A Guerra na África Austral - Análise da Estratégia Total Nacional da África do Sul 1948/1994” da autoria do Tenente-General Miguel Júnior, na sede da UCCLA.

A apresentação pública da obra contará com a presença do seu prefaciador, António José Telo, e com a intervenção de Francisco Proença Garcia. UCCLA



Morada:

Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa
Autocarros e Elétrico (Rua da Junqueira): 15E, 18E, 714, 727, 728, 729 e 751
Comboio: Estação de Belém
Coordenadas GPS: 38°41’46.9″N 9°11’52.4″W

China - Países lusófonos cativam municípios chineses

Uma delegação do Secretariado Permanente do Fórum Macau deslocou-se aos municípios de Zhoushan e de Changsha para participar em eventos que visaram o desenvolvimento de relações económicas e comerciais. O objectivo central era aprofundar a cooperação entre países de língua portuguesa e municípios do Interior da China em áreas como o turismo e a pesca.

Em comunicado, o Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum indicou que o responsável da Base Nacional de Pesca em alto-mar de Zhoushan expressou interesse na criação de uma “sólida plataforma de intercâmbio” com os países lusófonos, para “promover uma cooperação pragmática na maricultura, processo avançado de transformação, captura em alto mar e assistência técnica”.

Já em Changsha, capital da Província de Hunan, teve lugar o “Encontro sobre a Cooperação da Capacidade Produtiva entre Hunan, Macau e os Países de Língua Portuguesa”. Os delegados e representantes das regiões envolvidas concordaram em aproveitar o mecanismo multilateral do Fórum Macau e a Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa de modo a promover a cooperação e intercâmbio na área de economia, cultura e educação, indicou o gabinete do Secretariado.

Durante o encontro, que contou com cerca de 80 participantes, foi assinado um “Memorando de Entendimento para o Estabelecimento de Parceria em Matéria de Cooperação Económica”, para assegurar o alargamento da margem de cooperação entre as regiões. De acordo com o Fórum Macau, estiveram representados sectores de aquacultura, comércio, tecnologia, electricidade, maquinaria agrícola, ferroviário, aviação, equipamento, materiais de construção, indústria, indústria cultural e recursos humanos.

A visita, que decorreu entre 21 a 25 de Setembro visou aproveitar a posição de Macau para funcionar como “ponte e elo de ligação da cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

Portugal - Ponte romana e sítios arqueológicos destruídos para plantar amendoal

Direcção Regional da Cultura do Alentejo pediu ao Ministério Público e à Direcção Geral do Património Cultural a suspensão dos trabalhos em Beja, mas a movimentação de terras prossegue.



Sucedem-se quase diariamente os alertas que dão conta da destruição de património arqueológico que está a ser sacrificado ao plantio de diversas monoculturas de olival, amendoal, vinha, eucaliptos e até pinheiros no Alentejo. Agora foi uma empresa espanhola que arrasou vários sítios arqueológicos perto de Beja para ali colocar amendoeiras. Já foram feitas queixas à justiça.

Os arqueológos contestam este tipo de práticas e queixam-se junto da tutela, mas o silêncio e a inacção tem sido a resposta que sistematicamente recebem. “Por este andar, ficarão apenas os testemunhos que se encontram nas vitrinas dos museus ou nas salas de exposição. O resto vai desaparecendo da face da Terra”, protesta o arqueólogo Miguel Serra, que ao longo dos últimos anos tem o seu centro de pesquisa nos campos da região de Beja.

As destruições de património associadas às novas culturas “não são de agora” mas as que estão a ser instaladas ao longo da última década “são muito mais agressivas”. E se fosse possível contabilizar o que já foi arrasado todos ficariam perplexos, assinala o investigador.

O caso mais recente que se conhece, entre vários que têm tido lugar, foi denunciado pela Direcção Regional da Cultura do Alentejo (DRCA) junto do Ministério Público (MP) em Beja e da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC). A empresa de capitais espanhóis De Prado Portugal S. A. arrasou, entre Abril e Agosto, quase duas dezenas de sítios arqueológicos, que estavam devidamente assinalados no Plano Director Municipal de Beja. Uma área com cerca de 3 mil hectares onde será plantado amendoal, situada a seis quilómetros da capital do Baixo Alentejo, mesmo junto ao IP8.

A maior parte dos sítios estava identificada como sendo dos períodos do calcolítico, Idade do Ferro, período romano, medieval e moderno, com destaque para as referências arqueológicas da presença romana. As informações facultadas ao Público referem que os trabalhos de ripagem do terreno foram executados com maquinaria pesada e envolveu a extracção de pedra (despedrega) que existia em grande quantidade no espaço intervencionado.

As operações de movimentação de terra destruíram, entre outros vestígios, uma ponte, um aqueduto e uma villa da época romana. Nos esclarecimentos que prestou ao Público, Ana Paula Amendoeira, directora Regional da Cultura do Alentejo, disse que os serviços intervieram logo que tomaram conhecimento da operação de ripagem numa parte de território de grande sensibilidade arqueológica. Os promotores do projecto agrícola foram notificados pela DGPC para pararem os trabalhos mas o pedido não foi respeitado.

Ao mesmo tempo, foi dado conhecimento à autarquia e ao Ministério Público de Beja para que fossem “suspensos de imediato os trabalhos em curso”, para que pudessem ser aplicadas “medidas cautelares de avaliação dos impactos no património arqueológico existente no local e o estabelecimento de consequentes medidas de minimização dos mesmos”.

O Público procurou obter informações junto do Ministério Público mas este apenas avançou que dera entrada no dia 31 de Agosto uma “queixa-crime” contra a empresa visada pela DRCA e que “continuavam a decorrer as investigações” sobre este caso.

No terreno intervencionado observam-se abundantes fragmentos cerâmicos e pedras trabalhadas, presumivelmente do período romano. E as intervenções no terreno prosseguem. O espaço, tal como noutros que foram lavrados e abertas valas para a colocação da tubagem do sistema de rega, são o El Dorado para indivíduos munidos de detectores de metais para a apanha de moedas antigas ou outro tipo de vestígios metálicos. Há muita gente a sonhar com novos tesouros, à semelhança do que foi descoberto em Baleizão em 2004.

Foi isso que se passou na villa romana de Represas, próximo de Beja, depois desta ter sido destruída para plantar olival, conta Miguel Serra. Centenas de moedas, sobretudo do período romano, foram recolhidas no local por indivíduos que depois negoceiam os achados.

Também o arqueólogo Monge Soares não esconde a sua indignação pelo que se está a passar, sobretudo na área de influência do Alqueva. E dá exemplos dos estragos que já presenciou por causa da plantação de olival e amendoal intensivo e superintensivo: há dois anos, na freguesia de Baleizão, tinha encontrado dois pequenos fragmentos de uma lápide e vestígios de ocupação desde o calcolítico até à idade moderna. “Caterpílares envolvidos na limpeza e tratamento do terreno para a plantação de amendoal destruíram tudo. Queixei-me à tutela que superintende o património, mas nada foi feito”.

Ainda em Baleizão, para a construção de um lagar de azeite, “destruíram um sítio do período calcolítico e uma villa romana. E continuam alegremente a destruir tudo sem qualquer critério ou preocupação de salvaguarda patrimonial”, protesta o investigador, agastado com a apatia do Ministério da Cultura.

Lembra os vultuosos encargos (cerca de 20 milhões de euros) que a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) assumiu para financiar os trabalhos de levantamento arqueológico que foram realizados no âmbito do projecto do Alqueva para a instalação da rede primária. No entanto, as “explorações agrícolas que instalam olival, amendoal, vinha etc, abrem barrancos de drenagem das águas que atingem profundidades equivalentes às que foram abertas para a instalação da rede primária de rega mas não necessitam de acompanhamento arqueológico”, observa Monge Soares, frisando que há uns anos, quando exercia funções de responsabilidades no Ministério da Cultura, “sempre que havia revolvimento de terras era necessário acompanhamento arqueológico”. Hoje, qualquer agricultor que pretenda plantar as novas monoculturas de olival, amendoal, vinha, montado, eucaliptos e pinheiros está dispensado desta exigência.

“O problema está do lado da tutela que não previne a salvaguarda do património arqueológico”, acusa o arqueólogo Rui Mataloto, admitindo que é “quase impossível plantar vinha sem destruir os achados”. Na sua opinião, “o olival é, das novas culturas, a que provoca menos impacto” porque a técnica de plantio “não implica intervenções profundas no solo” a não ser na abertura de valas para a colocação das redes de rega. “Mas sei de villas romanas profundamente afectadas pela ripagem [operação de limpar e sulcar o solo], do terreno”, acentua.

A experiência diz-lhe que é possível “conciliar o desenvolvimento económico com a defesa do património” pelo que considera “inacreditável” que “nunca se tenha acordado um protocolo que articule as acções do Ministério da Agricultura e as diversas instituições do património” de modo a acautelar as intervenções nos territórios de maior sensibilidade patrimonial.

Outra das lacunas referidas por Rui Mataloto reside na informação que não chega aos proprietários das terras, que muitas intervêm com pleno “desconhecimento” dos sítios arqueológicos que se encontram nas suas explorações. Nos últimos 15 anos as instituições que têm por função a salvaguarda do património “navegam à vista” e os problemas subsistem. Carlos Dias – Portugal in "Público"